Segundo o Estado de S. Paulo, presidente 'era consultado e informado sobre as estratégias para resistir à pressão da oposição em favor de uma CPI'
Brasília - O dossiê com dados sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso foi decisão do governo, de acordo com o Estado de S. Paulo. A edição do jornal deste sábado diz que o Palácio do Planalto mobilizou toda a Esplanada dos Ministérios para coletar as informações na primeira semana de fevereiro, bem antes da CPI dos Cartões ter sido instalada, no dia 11 de março. Isto derrubaria a versão da Casa Civil de que os dados foram reunidos para ser apresentados à comissão.

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De acordo com o Estado, o dossiê começou a ser montado após pelo menos duas reuniões realizadas no Planalto, sob comando da ministra Dilma Rousseff e com participação dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação). O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também teria ido ao Planalto consultar os ministros.

"No Guarujá, de férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era consultado e informado sobre as estratégias para resistir à pressão da oposição em favor de uma CPI, depois de consumada a demissão da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), no dia 1º de fevereiro", afirma o jornal.

O ministro Franklin Martins, prossegue o Estado, teria distribuído um e-mail a todos os "coordenadores e assessores" de comunicação dos 37 ministérios e principais repartições da administração direta, pedindo que encontrassem prestações de contas antigas, personagens e relatórios de fiscalização, além de estatísticas de valores desembolsados desde 1998. Os dados seriam concentrados na Casa Civil, sob coordenação da secretária-executiva, Erenice Guerra.

Veja diz que não acusou Dilma

A edição da revista Veja desta semana também reitera a posição da semana passada, de que o documento foi "produzido e editado no Palácio do Planalto". O relatório, segundo a revista, foi feito "de forma a conter apenas informações potencialmente desabonadoras para FHC e Ruth Cardoso, deixando de lado dados da mesma natureza relativos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia". Também acrescenta que o documento foi usado para intimidar oposicionistas do governo.

A revista, entretanto, destaca que não acusou a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de ser a autora, "tampouco a viu como incentivadora dessas ações ou conivente com elas".

Segundo a Veja, funcionários das secretarias de Administração e de Controle Interno e da Diretoria de Recursos Logísticos da Presidência foram convocados para o trabalho de levantamento das compras feitas pelo ex-presidente e sua esposa durante seu mandato. O grupo teria se reunido a partir do dia 11 de setembro em uma sala no anexo II do Palácio do Planalto. Um dos técnicos convocados teria chegado a indagar sobre que tipo de materialidade se estava pesquisando em pilhas de processos de compras enviadas para análise. A coordenadora do trabalho, chefe da Diretoria de Recursos Logísticos, Maria de La Soledad Castrillo, assessora de Erenice Guerra, braço direito de Dilma na Casa Civil, teria explicado que eram "compras inadequadas e mordomias".

Os funcionários teriam analisado, por uma semana, os gastos da família de FHC. Cada despesa mais exótica encontrada, diz a Veja, era efusivamente comemorada, tal como uma nota fiscal que descrevia a compra de fraldas descartáveis e sabonete infantil.  

Ministro nega conhecimento de dossiê

O ministro Paulo Bernardo afirma ao Estado que não recebeu a mensagem da Secom nem tomou conhecimento dela, e sustenta que jamais soube da existência de qualquer dossiê. Explica que só começou a levantar dados do Planejamento e solicitou que os demais ministérios fizessem o mesmo, diante do requerimento da CPI dos Cartões, expedido em 12 de março.

Bernardo conta que ainda não examinou em detalhes a documentação já levantada, mas diz que não foi difícil concluir que as irregularidades são fartas. "Bastou passar os olhos e já deu para concluir que vai dar problema, em vários ministérios. A CPI certamente vai averiguar tudo e determinar providências."

Com Agência Estado
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