MP que identificação dos carrascos

Depois de comprovadas por laudo pericial tortura e a execução do militante da ALN Arnaldo Cardoso Rocha, Ministério Público pede que o Exército indique os autores

Por Bertha Maakaroun
Correio Brasiliense 28/12/2013

Observação do site    www.averdadesufocada.com 
Depois que provaram que Juscelino foi assassinado, que Jango foi envenenado, é muito fácil, passados mais de 40 anos, aos revanchistas de plantão desacreditarem os inquéritos, os depoimentos, desmontarem os laudos  oficiais , as manchetes dos jornais da época , os relatórios e comprovarem que ninguém reagiu a tiros,  ninguém morreu em combate: todos os terroristas se entregaram como cordeiros e foram mortos sob tortura.

Belo Horizonte – O Ministério Público Federal entrará na Justiça para que o Exército brasileiro identifique os autores do assassinato de Arnaldo Cardoso Rocha, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele foi torturado e morto entre 15 e 16 de março de 1973 pelo DOI-Codi do 2º Exército em São Paulo. A informação foi confirmada por familiares de Arnaldo e por entidades ligadas aos direitos humanos depois da exumação do corpo em 12 de agosto e da confirmação, em laudo pericial , de que, diferentemente da versão oficial na época da ditadura, o militante não foi morto em combate, mas brutalmente torturado antes de executado.

 “Vamos encaminhar os laudos ao Ministério Público Federal em São Paulo, que já abriu processo de investigação. A tortura é crime e não pode prescrever”, disse ontem a viúva Iara Xavier Pereira, 62 anos, que estava grávida  quando Arnaldo foi capturado. “A família quer ter o direito de saber quem o matou e que seja feita justiça”, declarou. “ Sabemos que o executor foi o DOI – Codi, que era comandado por Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ele e o Exército têm de ser intimados para indicar quem integrava a equipe de captura e a equipe da tortura. Ustra tem de responder pelo subordinado que cometeu o crime”, assinala Iara Xavier Pereira. Conhecido pelo codinome de Dr Tibiriçá , Carlos Alberto Brilhante Ustra é um coronel reformado do Exército que entre 1970 e 1974 chefiou o DOI-Codi do 2º Exército em São Paulo, um dos órgãos mais atuantes  na repressão política. Em 2008, Ustra se tornou o primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como torturador
( observação do site www.averdadesufocada.com :29 de setembro de 1970 a 23 de janeiro de 1974 )

Os restos mortais de Arnaldo Cardoso Rocha foram enterrados ontem, no Parque da Colina. Acompanharam o sepultamento irmãos e irmãs de Arnaldo, Antonio Ribeiro Romanelli e Betinho Duarte, da Comissão Estadual da Verdade, ex-militantes da Ação Libertadora Nacional, com Gilney Viana, ex-companheiros como Ricardo Apgaua, Jorge Pimenta, da Associação dos Amigos do Memorial da Anistia, e Frei Osvaldo, entre outros amigos e pessoas comprometidas com a causa.

Depois de uma luta 40 anos da  família para descobrir as circunstâncias da morte do militante, os restos mortais de Arnaldo Cardoso Rocha foram exumados em 12 de agosto desse ano. A exumação foi realizada por peritos do Centro de Medicina Legal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto “USP”.  A diligência foi acompanhada pela Comissão Nacional da Verdade e pelo Ministério Publico Federal , representado pelo procurador da República Sérgio Suiama. O corpo de Arnaldo havia sido entregue à família em 16 de março de 1973 em um caixão metálico, lacrado e enterrado sem ser aberto. O laudo perícia contestou a versão oficial dois militares, de que o militante tinha morrido em confronto com a polícia após ter reagido. Foram identificadas lesões ósseas só  observadas em pessoas que sofreram forte impacto e tortura, além de lesões nos braços e pernas,  causadas por pelo menos 15 tiros.

O resultado levou a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, a citar o caso durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos, em Brasília, neste mês: “Eu gostaria de pedir desculpas à família de Arnaldo Rocha pelo Estado, mas não vou fazer isso. Acho que desculpas não bastam. O Estado deve não só reparar simbolicamente, mas ser mais contundente nessa reparação. Ainda que eu acredite que devemos abaixar a cabeça diante dos mortos e desaparecidos acho pouco pedir perdão. Não se pode matar e pedir perdão. Ainda precisamos concluir essas histórias e o Estado não merece. ainda, perdão nos dias atuais”, enfatizou ela.

Mais vozes engrossaram ontem o movimento pela rediscussão da Lei da Anistia, mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2010 - de modo a punir os agentes do Estado responsáveis por torturas. Para o advogado Antônio Ribeiro Romanelli, exilado entre 1966 e 1970, é absurdo que a Lei da Anistia – da mesma forma torturadores e militantes da resistência. Eu, por exemplo estou sendo julgado pela lei e no mesmo nível do senhor Brilhante Ustra. Eu não aceito Isto. Não tenho nada para esquecer, ao contrário, acho que fiz pouco em busca da devolução da democracia a esse país. Mas o senhor Brilhante Ustra tem muito o que esquecer”, disse Romanelli. “Já é clara a tortura , o desaparecimento forçado, o assassinato pelo Estado, o que é imprescritível pois é crime contra a humanidade”, considera.

 

Observação do site  www.averdadesufocada.com

D Maria do Rosário:
A Sra não vai pedir desculpas, em nome do Estado, à Sra Margarina Tavares, esposa do Sr Manoel Henrique de Oliveira, e aos seus dois filhos Alberto Manoel e Maria do Carmo, o primeiro com 15 anos e a segunda com dois, quando o  seu pai, sem qualquer justificativa plausível, foi assassinado, brutalmente, pelo terrorista  Arnaldo Cardoso Rocha?

 

Comentários  
#4 Vaulber B. Pellegrin 30-12-2013 18:20
Também será analisada a morte de Ulisses Guimarães. A CV desconfia que ele foi envenenado, colocado em um helicóptero e jogado no mar. A CV esta pensando na possibilidade de se drenar esta área do Atlântico!!!
#3 Roberto Albernaz 30-12-2013 07:57
A verdade seja dita e não esboçada em favor desse ou daquele.O culpado pelas maiores reações dos militares frente as ações desses terroristas,fez -se diante ao mini manual guerrilheiro lançado pelo maior terrorista psicopata daquela época,Carlos Mariguella.Em uma luta sem precedentes, os militares em desfavoreciment o das ações terroristas desse indivíduo,tiver am que se ajustar aos modos operandi da luta a qual estavam combatendo.Únic a forma de identificar,inf iltar e desmantelar esses terroristas,era enfretá-los no campo de batalha,pois esses terroristas sendo tão covardes e malandros,coloc avam em risco a vida de pessoas inocentes para se favorecerem em meio ao caos.Um exemplo disso foi o assassinato a rajadas de metralhadoras do empresário Albert Boilesen em frente a uma feira de rua. Observem a ousadia desses elementos covardes colocando a vida de qualquer civil em perigo.O que imaginar dos seus objetivos?
#2 anônimo 29-12-2013 15:18
Se foram encontrados vestígios de tantos tiros é certo que a pessoa foi vítima de tiroteio,não tortura.Uma única rajada de metralhadora pode cortar um tecido ao meio,caso a sra.Rosário não saiba.Quinze tiros significam que a vítima esteve sob a mira ou na trajetória de uma metralhadora,in felizmente.Mais lamentável é o silêncio dessa senhora ante a filmagem da morte lenta por dissecação da perna de um rapaz sem nome em plena luz do dia num presídio do Maranhão.Ele não era guerrilheiro,er a só um preso pobre.Pelo visto só guerrilheiro sexagenário tem.direitos no Brasil.
#1 azambuja 28-12-2013 21:01
Não vejo o Estado, tão citado pela Maria do Rosário, pedir desculpas aos que foram sequestrados e aos que foram assassinados pela guerrilha, como o soldado Mario Kozel Filho!
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