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Categoria: Revanchismo
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Quando será que o Estado vai pedir perdão aos familiares dessas 119 vítimas
assassinadas, friamente, por esses "heróis" que dona Maria do Rosário pranteia
tanto? Perdão não só a eles, mas aos que não morreram mais ficaram com sequelas
para  o resto da vida? Caia na real dona Maria do Socorro , os direitos humanos
são iguais para todos... Os sentimentos também...essas cruzes trazem os nomes
de vítimas que deixaram órfãos, mulheres grávidas, mães e pais, irmãos que
choram até hoje...
O Globo - 12/12/2013 
Laudo pericial e antropológico apresentado ontem revelou que o militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Arnaldo Cardoso Rocha foi assassinado por agentes da ditadura em março de 1973.0 documento desmente a versão oficial de que Rocha morreu após troca de tiros com militares.
Os restos mortais de Rocha foram exumados em agosto, em Belo Horizonte, e submetidos a exames que demonstraram, pela conclusão dos especialistas, que o militante já estava dominado pelos agentes. O laudo foi apresentado durante o Fórum 
Mundial de Direitos Humanos, em Brasília. 
O antropólogo forense da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência contou que a sepultura estava inundada, o que ajudou na preservação de tecidos do corpo da vítima. Rocha levou pelo menos 15 tiros e tinha muitos sinais de tortura, mais de 30 lesões. Um fator determinante para a conclusão de que o que ocorreu foi homicídio doloso foi um disparo no cérebro de Rocha, na parte posterior.
 
Iara Pereira, que foi mulher de Rocha e que estava grávida quando ele morreu, afirmou que ainda falta descobrir as circunstâncias da morte de seu antigo companheiro, identificar e punir os responsáveis:
 
— Não é sentimento de vingança que nos move, mas de justiça.
 A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, disse que o Estado não  vai pedir perdão a Iara e a outros familiares de Rocha porque seria muito pouco.
 
Em São Paulo, Maria Amelia de Almeida Teles, a Amelinha, presa na Operação Bandeirantes e no Dops de dezembro de 72 a junho de 73, contou ontem à Justiça Federal que ouviu as ameaças de um agente da repressão a Edgar Aquino Duarte, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária

     Esta é Dona Amelinha, como lhes chamam seus
    companheiros de luta armada,Ivan Seixas, Paulo
    Vannuchi e outros que se juntam sempre que  
    são solicitados para me acusarem ... Eles estão
    em quase todos os processos.
    E o que eu tenho com o Cabo Anselmo, para escon-
    der esse Edgar Aquino Duarte?

 

 que vivia encapuzado e preso no prédio.
 
"Você vai morrer porque você sabe um segredo de Estado",  disse o militar a Edgar, que ficou preso no Dops até que ela deixasse a prisão. O depoimento de Amelinha foi tomado durante a audiência sobre a acusação de sequestro qualificado contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e os delegados Alcides Singilo e Carlos Alberto Augusto, o Carlinhos Metralha. Apenas os delegados acompanharam os três dias de depoimentos; Ustra deverá ser julgado à revelia, pois faltou à sessão.
 
Assim como Ustra, os delegados negam participação no sequestro, mas, para o Ministério Público Federal, os depoimentos mostram que os três tinham conhecimento da prisão ilegal de Edgar, desaparecido desde a prisão, em 1971.
 
O "segredo de Estado" de Edgar respondia pelo nome de cabo Anselmo, o ex-militante da VPR que, depois de preso, tornou-se um agente infiltrado da repressão. Para o Ministério Público Federal, Edgar foi sequestrado e preso ilegalmente porque "sabia demais"."