Autora: Marina Azaredo Victor Vieira
O Estado de S. Paulo - 05/12/2013 
 
Mais bem colocada em ranking global, USP está na 11a posição; mais 3 instituições aparecem entre 100 melhores - China lidera
Nenhuma universidade brasileira aparece entre as dez melhores no ranking de países emergentes, segundo a lista divulgada ontem pela Times Higher Education (THE), responsável pelas principais medições de qualidade do ensino superior do mundo. A mais bem colocada é a Universidade de São Paulo (USP), na n.a colocação. Baixa internacionalização, burocracia e poucas verbas de pesquisa, segundo especialistas, impedem avanços.
Além da USP, outras três brasileiras estão entre as íoo melhores: a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 24º lugar, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 6o.°, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 87°. Os cinco critérios usados pela THE são: qualidade de ensino, visibilidade internacional, número de citações, pesquisa e trabalhos em inovação. É a primeira vez que a THE faz lista só com nações emergentes.


O top 100 é dominado pela Ásia (70%). Atrás da líder China, com 23 universidades, estão Taiwan (21) e índia (10). A USP está no topo das latino-americanas, seguida da colombiana Universidade dos Andes, em 17º. Participaram do levantamento 22 países e 18 estão no ranking.

Para o reitor da USP, João Grandino Rodas, a experiência chinesa mostra que são necessários mais recursos. “A USP tem sido uma exceção no que tange a seu tempo de existência, tamanho e número de alunos de graduação e pós-graduação. Estamos superdimensionados para ser universidade de ponta", disse o reitor, por meio de nota.
Em outubro, a USP saiu do grupo das 200 melhores da lista global da THE em relação a 2012. Embora o resultado tenha piorado, 15 mil servidores e 5 mil docentes receberão, de prêmio, R$ 2 mil - R$ 40 milhões.

Entraves. A pró-reitora de Pesquisa da Unesp, Maria José Giannini, comemora os resultados. “Diferentemente das universidades de fora, não temos como contratar docentes estrangeiros de renome", diz. A pró-reitora de Pesquisa da Unicamp, Gláucia Pastore, destaca a necessidade de internacionalizar. “A globalização nos obriga a discutir em conjunto."

O especialista em análise de produção científica Rogério Meneghini reforça que o fraco intercâmbio de alunos e professores prejudica o Brasil. “Outros fatores são a baixa colaboração internacional em pesquisas e mau domínio do inglês."

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o mau desempenho do País em rankings. “Fiquei horrorizado que o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 100 melhores do mundo. Em tudo o Brasil fica entre os dez primeiros", disse ele ao receber, ao lado de Dilma Rousseff, o título de doutor honoris causa na Universidade Federal do ABC. /Colaboraram Bárbara Ferreira Santos e Paulo Saldaña


 

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