“A Instituição será maculada, violentada e conspurcada diante da leniência de todos aqueles que não pensam, não questionam, não se importam, não se manifestam”

Gen Marco Antonio Felicio da Silva                                        

                                                                              Atual candidato à Presidência do Clube Militar

                                                                                   CHAPA TRADIÇÃO, COESÃO e AÇÃO 

Em qualquer ciclo de vida somente uma coisa é permanente : a mudança. Daí ser a vida extremamente dinâmica. Mudam as estruturas, determinando novas conjunturas, ou vice-versa, causando transformações as mais variadas e inesperadas. E aquilo que não se adapta às novas circunstâncias, ao longo dos tempos, acaba por tornar-se obsoleto ou desajustado, definha e fenece. Assim ocorre com pessoas e organizações.

Faço questão de citar o acima tendo em vista o atual Clube Militar, cuja finalidade precípua, hoje, está voltada, principalmente, para o lazer, o que faz, sem sombra de dúvidas, com eficiência. Porém, dada a conjuntura político-social, econômica e militar em que vivemos, completamente diferente da que tivemos até o início da chamada “Nova República”, surgida ao final dos governos militares, e em face dos acontecimentos que então ocorreram, e que estão em evolução permanente, temos um Clube, hoje, cuja finalidade, principal, repito, o lazer, não pode mais ser considerada como a única atividade prioritária.

Os novos e atuais desafios que atingem o Brasil, as Forças Armadas e seus integrantes (incluindo-se a criação do Ministério da Defesa e a consequente perda de “status” político por parte dos comandantes militares), desafios originários de diferente e adversa realidade, inclusa a econômica, perpassada pela corrupção e por agressões ao Estado Democrático de Direito, fazem com que a atividade de natureza política (não a política partidária) seja, também, enfatizada pelo Clube Militar.

Exemplar a situação vivida, cerca de alguns meses atrás, origem do manifesto “Alerta à Nação, Eles que venham, por aqui não passarão!”, de minha autoria, reunindo milhares de assinaturas.

Assim, gradativamente, criar e ocupar espaços de poder e exercer influência são ações sumamente importantes que não podem ser desconsideradas pelos sócios e pelos futuros gestores do Clube.

Consequentemente, as mudanças internas que propomos, dariam ao Clube, como entidade civil (jamais como sindicato), os apetrechos para responder a esses desafios, isoladamente ou em parceria, como representante e porta-voz de seus sócios militares, parcela representativa da categoria militar.

Há que ressaltar que uma sociedade democrática será tanto mais forte quanto maior for o número de entidades legais, representativas e participativas do processo político nacional, contrárias ao enfraquecimento da independência dos poderes constituídos, à coibição das liberdades individuais e coletivas e, em suma, a deformações do Estado Democrático de Direito, o que já vem ocorrendo, facilitadas pelo aparelhamento dos poderes constituídos e pela omissão e/ou conivência da maioria das chamadas elites do País.

Alguns, certamente, afirmariam ser impossível dar tal “status” ao Clube Militar. Entretanto, quem conhece a história do Clube sabe exatamente qual foi a razão de sua criação e a importância de sua atuação política através dos tempos, embora as dificuldades e pressões sofridas, gerando fatos marcantes que se coadunam com as palavras ostentadas em seu centenário e tradicional brazão: CASA DA REPÚBLICA, DEMOCRACIA, SOBERANIA, UNIDADE NACIONAL E PATRIOTISMO.

O Clube Militar não surgiu como clube de lazer, mas como uma resposta de lideranças militares a período de intensas crises políticas. Tal período seguiu-se à Guerra da Tríplice Aliança, nele destacando-se as crises geradas pelas “Questão Militar” e “Questão Religiosa” e pelas campanhas abolicionista e republicana.

Era grande, então, o desinteresse da Monarquia pelo estamento militar do País, agravado pelos antagonismos gratuitos para com os militares e pela falta de atenção como eram tratados os assuntos relativos às Forças Armadas por parte da quase totalidade da classe política.

A medida em que as crises se agravavam, amadurecia a ideia de que os militares, desprestigiados pelos políticos e pelo governo, precisavam fazer-se ouvir pela Nação de maneira coletiva e organizada. Assim, de natureza essencialmente política, surgiu o Clube Militar, em junho de 1887, presidido pelo Marechal Deodoro.

Nos dias atuais, para uma real transformação do Clube Militar, colocando, também, a atividade política ao lado do lazer, ambas preponderantes, entre outras coisas a implantar e implementar, há que enfatizar a criação de um “Centro de Estudos Estratégicos” e de um “Grupo de Acompanhamento de Crises e de Pronta Resposta” bem como o incremento de uma gestão, fundamentada em um Planejamento Estratégico Organizacional, buscando em todos os setores de atividades a melhor relação custo/benefício.

Cabeças privilegiadas para a composição do Centro não faltam entre militares inativos e civis amigos.

Palestras e discussões de temas, previamente escolhidos e que despertem o interesse da mocidade e, particularmente, a reprodução em Universidades, faculdades e centros similares, Brasil afora, seria meio eficaz de dialogar com intelectuais e estudiosos e mostrar o pensamento de segmento representativo da categoria militar, buscando adeptos e simpatizantes e desfazendo estereótipos negativos. Seria, também, forma eficaz, dentre outras, de relacionar o Clube com o meio externo e torná-lo realmente conhecido

Sem dúvida, haverá muito o que fazer. Estes seriam os primeiros passos de longa caminhada, processo de enfrentamento de desafios e de adequação constante à realidade cambiante.

 

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