Correio Braziliense - 03 Nov 2013   

Vestidos com elegantes ternos e circulando com desenvoltura em grandes eventos empresariais do país, na maioria das vezes como palestrantes convidados, os cariocas Alexandre Fitzner e Washington Lüke seriam facilmente confundidos com executivos de uma multinacional de tecnologia. Só depois de uma conversa, de receber o cartão de visita da dupla ou ainda de ver o material deles nas apresentações de auditório é que o desavisado descobre que o coronel Fitzner e o tenente-coronel Lüke são os cérebros da Diretoria de Obras Militares (DOM) do Exército. "Abrimos mão da farda nessas ocasiões para que prestem atenção no nosso discurso, sem risco de distrações olhando para as estrelas nos nossos ombros", brinca Lüke.

Os dois engenheiros são os maiores divulgadores no Brasil do processo building information modeling (BIM) — ou modelagem da informação na construção —, cujas ferramentas digitais foram desenvolvidas pela norte-americana Autodesk. Há dois anos, a empresa os vem colocando com destaque em encontros com o mercado e com o meio acadêmico brasileiro, onde o Exército tem a oportunidade de apresentar os avanços e a experiência acumulada nessa área. A maior evidência é a capacidade de executar obras de todos os portes em tempo recorde e com índices de desperdício próximos de zero, a partir do emprego de um sistema 100% eletrônico que reúne desenhos tridimensionais, cronogramas e projeções de gastos detalhados. 

Patrimônio
O sucesso do BIM no Exército se tornou logo um modelo para o resto dos órgãos federais, sobretudo para o gerenciamento e a manutenção do patrimônio. A Força tem sob a sua guarda 78 mil imóveis em todo o país, de ginásios a piscinas e de capelas a residências, passando por hospitais e escolas. "Conseguimos ter uma visão completa e em tempo real do estado de cada um dos empreendimentos militares. Órgãos de governo e até empresas privadas estão interessados em assinar convênios para dominar essa metodologia moderna", revela Fitzner. No segmento da construção, contudo, é onde o conhecimento dos dois profissionais que despacham no Quartel-General, em Brasília, soa mais promissor e para o qual recebeu a maior incumbência presidencial.

"O BIM vem avançando na engenharia e na arquitetura por ser um processo integrado, que amplia a compreensão do empreendimento e proporciona a visibilidade dos resultados. A coordenação das equipes sai ganhando, com menos perdas e tomada de decisões importantes logo no início do projeto", detalha Lüke. No Plano Diretor de Obras Militares (Geo PDOM), todas as informações são gerenciadas. Pelo Sistema Opus, é feita a gestão do ciclo de vida da infraestrutura militar, vocacionada para a segurança nacional.

Sob a supervisão deles, está sendo criada uma série de bibliotecas virtuais do BIM verde-amarelo, ajustado aos materiais usados nas obras, às planilhas de orçamentos e às normas técnicas e burocráticas do país. Os conceitos de eficiência energética e as exigências de certificação estão contemplados. "Qualidade, legalidade e sustentabilidade econômica e ambiental norteiam o esforço para compilar e transferir essa tecnologia", diz o tenente-coronel. Seu colega da DOM lembra que o modelo já foi testado na construção de ramais do metrô paulistano e na reforma do Aeroporto de Campinas (SP) e dos estádios do Maracanã (RJ) e da Arena Pernambuco, entre outros. (SR) 

» Dnit segue o caminho
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia que executa obras em rodovias, adotou, nos últimos dois anos, meios modernos de contratação e administração de obras, visando sepultar longo histórico de irregularidades e, ainda, ser modelo de transparência e eficiência. Em 2011, o órgão ligado ao Ministério dos Transportes foi alvo de denúncias de corrupção que culminaram com a queda do então diretor-geral, Luiz Antônio Pagot. Foi substituído pelo general Jorge Fraxe. As acusações paralisaram projetos e suspenderam editais. Acabar com impressos até 2014 estava nas metas das 23 superintendências regionais.
 

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