Trabalho da Comissão da Verdade do Rio derruba versão da ditadura sobre morte de militantes da VAR-Palmares
Juliana Castro
O Globo – 27/10/13
Maria Lígia, Antônio Marcos e Maria Regina são as vítimas da Chacina de Quintino

RIO - Era 29 de março de 1972 quando quatro militantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), a mesma organização a que pertenceu a presidente Dilma Rousseff, estavam reunidos na casa de número 72 da Avenida Suburbana 8.985, em Quintino, na Zona Norte do Rio. Segundo a versão oficial que consta no registro da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), agentes da área de Segurança Nacional foram recebidos à bala ao penetrar no aparelho subversivo e, em legítima defesa, revidaram. De acordo com o documento, jaziam nos fundos da casa os corpos de duas mulheres e um homem. Quarenta e um anos depois, a versão dos militares para a Chacina de Quintino, como ficou conhecido o episódio, cai por terra.

 Com base em documentos de várias fontes e depoimentos de vizinhos e do perito que examinou os corpos no Instituto Médico Legal (IML), a Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) elucidou as circunstâncias em que ocorreram as mortes de Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo e Lígia Maria Salgado Nóbrega. 

Novos testemunhos obtidos pela comissão, somados ao laudo cadavérico que não aponta resquícios de pólvora na mão dos militantes, levam à conclusão de que as vítimas não receberam os policiais à bala, ao contrário do que sustentaram o Dops e o DOI-Codi.(...) 

Em longa reportagem O Globo publica a matéria acima, entretanto deixa de citar os crimes que tais terroristas cometeram.

Vamos abordar um dos crimes da terrorista Ligia Maria Salgado Nóbrega, publicado no livro “ A Verdade Sufocada , do Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra 

Não interessa o cadáver, mas o impacto
David A. Cuthberg
05/02/1972

Em 1972, para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil, vários eventos foram programados. Um desses era a visita de uma Força Tarefa da Marinha Inglesa, composta por cinco navios, que chegou ao porto do Rio de Janeiro em 5 de fevereiro.

Estavam previstas várias solenidades, entre elas a colocação de uma coroa de flores junto à estátua do Marquês de Tamandaré, em Botafogo. O equipamento dos navios seria apresentado a convidados especiais. Os navios seriam abertos à visitação pública.

Ansiosos para conhecer o Rio de Janeiro, os marinheiros, no mesmo dia, saíram para aproveitar a noite carioca. Não imaginavam que, no País, terroristas estavam agindo, como sempre, traiçoeiramente.

Após o serviço no navio HMS Triumph, um jovem marinheiro, de 19 anos, David Cutthberg, e seu colega Paul Stoud tomaram um táxi e partiram para o que imaginaram ser uma noite de muito samba e alegria.

Nove terroristas, no entanto, estavam em dois carros, à espreita, prontos para novo “justiçamento”. O “Tribunal Revolucionário” escolheu a vítima aleatoriamente.

Não interessava a identidade do morto, apenas o impacto na opinião pública, além do destaque, no exterior, que seria dado às organizações terroristas.

No táxi, conduzido por Antônio Melo, os dois jovens seguiam, ansiando por divertimento. Logo em seguida, na esquina da Avenida Rio Branco, em frente ao Hotel São Francisco, viram um carro emparelhar com o táxi. Pela janela desse carro uma metralhadora cuspia fogo. Foi a última visão que o marinheiro David Cuthberg teve do Rio de Janeiro. Nem chegou a ver Copacabana, que tanto desejava conhecer. Nem ouviu o som do samba, mas sim o metralhar seco dos tiros. Não teve tempo para perceber o que estava acontecendo. Morreu na hora. Seu colega Paul Stoud e o taxista, atônitos, salvaram-se por milagre.

Lígia Maria Salgado Nóbrega jogou, dentro do táxi, sobre o cadáver, os panfletos com o veredicto do famigerado tribunal. David, como sempre, fora condenado, sem direito à defesa, por representar “um país imperialista”.

O “Comando da Frente”, composto pela ALN, VAR-Palmares e PCBR, justificou o ato insano como sendo solidariedade à luta do IRA contra os ingleses.

A programação da Armada Inglesa, no Brasil, foi suspensa. 

O jornal O Globo, do dia 8 de janeiro de 1972, assim se referiu ao assassinato:
“... Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra o regime brasileiro. A transação desejada nos oferece a dimensão moral dos terroristas: a morte de um jovem inocente em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos.”

“... É um ato de covardia que bem caracteriza a frieza e ausência de sentimentos desses desajustados que os incompatibilizam com a natureza de nosso povo.”

A imprensa, vivendo o clima de violência da época, rotulava os militantes das organizações subversivas de terroristas e maltas de assassinos. Hoje, a mesma imprensa os posiciona como “heróis que lutaram contra a ditadura militar”,

 e o governo paga indenizações cada vez mais milionárias aos vivos – perseguidos políticos - e às famílias dos mortos. 

Vejam o exemplo abaixo (todos participantes desse “justiçamento”):

Flávio Augusto Neves Leão Salles (Rogério), da ALN;

Antônio Carlos Nogueira Cabral (Chico), da ALN *;

Aurora Maria do Nascimento Furtado (Márcia), da ALN *;

Adair Gonçalves Reis (Sorriso), da ALN;

Lígia Salgado da Nóbrega (Ceguinha), da VAR-Palmares *;

Hélcio da Silva (Anastácio), da VAR-Palmares;

Carlos Alberto Salles (Soldado), da VAR-Palmares;

James Allen Luz, da VAR-Palmares; e

Getúlio de Oliveira Cabral (Gogó), do PCBR *.

As famílias dos assinalados com asterisco foram contempladas com indenizações, de acordo com a Lei 9.140/95, pagas pelo Estado contra o qual pegaram em armas.

Gostaríamos que o marinheiro inglês David Cuthberg não fosse esquecido e que o sacrifício de sua vida não tenha sido em vão. Justiça seria feita se, no mínimo, a família de David recebesse as mesmas indenizações que os defensores dos direitos humanos no Brasil dispensaram aos seus assassinos.

Comentários  
#5 Rodrigo 16-11-2013 10:53
Igor, eu concordo com você. Na verdade, quero que todos os partidos corruptos, as facções criminosas e os veículos de mídia manipuladores se destruam mutuamente!
#4 anônimo 28-10-2013 17:37
Só eu notei inconsistência nos supostos depoimentos e laudos? A morte dessas pessos, de resto lamentável por piores que sejam seus crimes, é sempre cinematográfica ? Eram sempre inocentes pegos de surpresa e massacrados covardemente? Sabemos que nunca é assim.
#3 domenico 28-10-2013 15:45
Seria de suma importância, que se panfletassem a verdadeira História sobre esses atos "inofensivos" dos terroristas e seus demoníacos ideais, pela implantação do regime-comunist a, no Brasil. É necessário que o povo, tenha acesso às verdades, pois, as contadas pelos quatro-cantos do País, inclusive, através de filmes, documentários, entrevistas, etc... são para glorificar os sanguinários-ve rmelhos !...
#2 Vaulber B. Pellegrin 28-10-2013 15:18
Igor...preciso assinar alguma coisa para que isso aconteça???
#1 Igor Correia Oliveir 27-10-2013 18:13
Meu sonho é ver uma cachina do PCC com o PT e os 2 se matarem.
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