VaniaLCintra
Muita gente estava sabendo da programada cordial visita de um grupo de indivíduos pacíficos e bem intencionados a um Quartel que, segundo eles mesmas e mais alguns, deve deixar de ser Quartel e ser transformado em museu. Em prol da aclamação uma verdade absoluta.
Não só o Deputado Jair Bolsonaro, além dos visitantes, sabia dessa visita.

 

 No yahoo.com um texto nos chamou para ver. Não a visita, mas a confusão: “Veja a confusão registrada pela Agência Brasil”. 

Eu, que sou curiosa, acudi ao chamado. E fui lá, fui lá para ver. Na Agência Brasil. Que exibe o filme da confusão, já chamada de tumulto: “Confira vídeo: Bolsonaro provoca tumulto em visita da Comissão da Verdade no RJ” (http://www.youtube.com/embed/eKxx60-Aqn0). 

E eu vi. Eu vi a confusão. Essa, eu vi, sim. A confusão. Uma boa confusão, decorrente de uma discussão acalorada com direito a empurra-empurra de muita gente que estava em volta de quem discutia. E pude bem ver as mãos do Deputado Jair Bolsonaro. Gesticulando. Com o dedo em riste. 

Mas, a agressão física... bem... agressão física eu não vi, não. Muito menos vi “o soco”, literalmente, que alguém disse que levou e muitos disseram que foi dado. Ah, esse, eu não vi, não. E o cinegrafista da TV Brasil Rio que filmou a discussão também não viu. Com toda a certeza. Porque estava filmando a confusão e “o soco” não foi filmado. Se tivesse visto “o soco”, ou, indo mais longe, se “o soco” tivesse sido dado e sido recebido, ele teria sido filmado. E estaria no filme. 

As minhas perguntas, então, nessa história toda, são muito simples e não são uma só: o Deputado Jair Bolsonaro - que todos sabem o que pensa das coisas que vêm sendo feitas por gente tão pacífica e tão bem intencionada; que todos sabem que anda muito indignado com essas coisas todas e com toda essa gente que faz essas coisas todas; que todos sabem é muito esquentado (e, qualquer dia, com todo o estímulo que a explícita pachorra dessa gente tão pacífica e tão bem intencionada lhe fornece, acabará tendo um piripaque no meio de uma discussão qualquer e, se tiver, ninguém por isso se sentirá responsável); que tantos votos obteve no Rio, onde está o Quartel em que se deu a tal recente confusão; que representa, portanto, o pensamento de muita gente a respeito de muitas coisas que vêm sendo feitas em tantas ocasiões e em tantos lugares por esse Brasil afora, coisas com as quais muita gente se diz muito indignada –, voltando: ele, o Deputado Jair Bolsonaro, foi sozinho enfrentar na raça, no peito e na unha aquela gente toda, a que visitava o Quartel com tão boas intenções e a que, no portão, com mais boas intenções, prestigiava a que visitava o Quartel? 

Bem, se ele foi sozinho, sozinho ele estava. E estava sozinho porque ninguém pensou em acompanhá-lo. E sozinho ele enfrentou aquela gente toda porque sozinho ele a vem enfrentando. E vem enfrentando essas coisas todas. Sozinho. Porque ninguém mais se dispõe a enfrentá-las. 

Outra pergunta: o Deputado Jair Bolsonaro enfrenta essa gente e essas coisas todas em nome de quanta gente, exatamente? Pergunta essa que permite que se façam outras perguntas mais. Por exemplo: e quando, por uma confusão ou por outra, ele não mais as puder enfrentar? Todos serão (seremos) transformados em bonecos de cera artisticamente colocados em museus, representando e incentivando a memória dos horrores circenses e cinematográficos que atualmente povoam a imaginação democrática e popular? Que confusões mais já terão sido e que confusões mais ainda poderão ser feitas? Quem mais sairá definitivamente da cena nacional, vaiado e escorraçado, por ter ousado defender uma opinião qualquer e ter tentado demonstrar fatos reais que a possam avalizar?    

Creio eu que é de boa política nem tentar dar respostas a essas perguntas.

Aliás, de boa política, mesmo, será nem sequer pretender enunciá-las. 

 

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