Por Ernesto Caruso (*)
A natureza humana é muito limitada. A vida, a terra, o mundo e até além da vida foram e são estudados e ensinados pelas ciências de forma compartimentada. Para a compreensão do todo se tenta dividi-lo em partes. Pouco se sabe em relação ao muito que se desconhece.
Medicina, Engenharia, Economia, etc geram os profissionais de cada área. Cada um aprofundando conhecimentos e especializações sem descuidar da visão periférica atinente ao convívio em sociedade. Os militares fazem parte dessa História.
No Brasil, foi um segmento importante; contribuiu na formação da nacionalidade e para o desenho da fronteira do vasto território. No ensino foi parte do Berço fardado dos doutores http://pt.wikipedia.org/wiki/Real_Academia_de_Artilharia,_Fortifica%C3%A7%C3%A3o_e_Desenho

Como os demais cursos superiores, o acesso às Academias Militares se faz através o vestibular e posteriormente mediante disputado concurso para os Cursos de Comando e Estado-Maior. A carreira se desenvolve nos níveis formação, especialização, mestrado e doutorado em Ciências Militares, integrado a profundo conteúdo atinente à Administração.

Não são cursos cuja ausência é tida como frequência, nem com as greves se é aprovado por compreensão.

Muita gente sabe disso, mas há os que desconhecem e pensam que militar só faz ordem unida nos quartéis.

Teoria e prática se associam na vida. Prêmio Nobel é para poucos, assim como a soberba não é medalha para muitos.

Pois é, foram os militares, poucos, mas bravos combatentes que venceram os comunistas empenhados na luta armada, mesmo os mais ilustrados, estudiosos de Marx. Claro que com apoio da estrutura vigente. Araguaia, Caparaó, Vale do Ribeira, aparelhos, etc. incompetentes os chefes, enganados os jovens; comunistas derrotados.

Como escreve A. Sirkis em OS CARBONÁRIOS, também se interessa pelo marxismo, “Trotski, o Profeta Armado”, a injustiça social, livros e mais livros, “subtraindo sucessivamente às livrarias”. Faz crítica ao modelo soviético, cita a China, Cuba e o exemplo do Che. Lê Guerra de Guerrilhas do Che. Converte-se à causa vietcong. E daí, juntos e misturados perderam a guerra, fugiram, mataram, se redimiram, estudaram o outro lado e repudiaram o comunismo.

Uns aprenderam, o renegaram, outros ainda ganharam uns trocados, tipo megassena, vivem e ainda tentam implantar os seus sonhos por meios pacíficos. Usam a democracia para dominar sem empreender a luta armada, o que não significa abandonar o uso da força e pressões de toda ordem e a expropriação sem precisar roubar o cofre. Assassinatos misteriosos, dossiês,…

Os terroristas foram vencidos em 1935-Intentona Comunista, em 1964 e em 1960/70. Por quem? Pelas Forças Armadas, oficiais, praças, policiais, com apoio da sociedade e dos governos estaduais, quando muitos civis foram vítimas inocentes do terrorismo vermelho.

Nós, militares, no início da década de 1960, pesquisávamos sobre Guerra Revolucionária nos Mensários de Cultura Militar e outras fontes. Aprender e ensinar era preciso. Diversas fornadas viveram a guerra fria, o avanço comunista com a teoria do dominó a prosperar.

Não foram os militares que perderam a guerra da comunicação, foi a sociedade, a que chamam de “sociedade civil organizada” (Gramsci) que assistiu e participou da desconstrução cultural e social, como lição bem feita da doutrina comunista. Ativistas vermelhos infiltrados em todos os segmentos a soldo do capital. Nas novelas as famílias se desorganizaram, a figura paterna era deformada embrutecida, ignorante, o safado. Família desestruturada.

Nas estórias, o autoritarismo era a constante na autoridade. Velho, o retrógrado, o conservador. O novo era o revolucionário, avançado, progressista, moderno. Artistas embevecidos ajudaram a disseminar o uso da droga. Drogados se fizeram heróis, overdose o meio. Filmes produzidos. Morte prematura, tudo muito natural…

Professores comunistas ajudaram a deformar o jovem, hoje, mesmo os apartidários apanham na cara, levam tiro e surra dos pais inconformados. Foi-se o tempo que os alunos recebiam os mestres em pé.
Célebre ficou o comentário de Roberto Marinho em resposta a um militar: “Cuida dos seus comunistas que eu cuido dos meus.”.

Os órgãos formadores de opinião foram dominados. Inocentes úteis, companheiros de viagem, luta armada, via pacífica, eram linguagem comum nas instruções militares.

Na fase ARENA/MDB alianças e apoios eram feitos com o PC às escondidas, infiltração na administração pública, recrudescendo pós-Sarney, 1985.

As Internacionais Comunistas ditavam as ordens. Antonio Gramsci nem era ouvido.

A Tchecoslováquia foi dominada sob a luz da democracia. Tomada do poder por infiltração, pressão de cúpula, pressão de base. Hoje, o Brasil revive esses acontecimentos. De um lado Governo/Congresso/Judiciário, de outro MST, Blackbloc, CUT, UNE, mídia/TV cooptada.

Exemplo atual. Quinta-feira, Set/19/2013, MST INVADE CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO CEARÁ EM FAVOR DE MÉDICOS CUBANOS E PROMETE NOVOS ATAQUES, Integrantes do MST invadiram na tarde desta quarta-feira (18) a sede do Conselho Regional de Medicina do Ceará, em um protesto a favor da concessão do registro provisório de trabalho aos médicos estrangeiros do programa Mais Médicos. Cerca de 150 manifestantes permaneceram no prédio entre 16h e 18h… “Se os registros demorarem, vamos fazer mais protestos”, afirmou…, integrante do MST.

E mais, SET/2013, “ISTOÉ entra na base da Liga dos Camponeses Pobres, um grupo armado com 20 acampamentos em três Estados, que tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia e cujas ações resultaram na morte de 22 pessoas no ano passado.”.

A secessão continua, invasões, reservas indígenas, quilombolas, cotas raciais… Corrupção, descrédito nas instituições. Desgraçado 6×5 em prol dos bandidos. Comissão da verdade apoiada por inocentes úteis ou gente parte da comunalha assassina. Como compreender incentivada por entidades religiosas, sabendo-se perseguidas onde se implantou o regime cruel. Incoerente fidelidade à doutrina cristã e à marxista-leninista. D. Agnelo Rossi estava presente nos funerais do Sd Mario Kozel Filho e repudiou o comunismo.

Vale recordar uma palestra apresentada por este subscritor a oficiais e sargentos, quando capitão instrutor, em organização militar, 1976, em anexo, versando sobre o Movimento Comunista Internacional, tratado em livros, documentos e pela imprensa, em especial O GLOBO, noticiando as atividades comunistas no mundo.

Alguns fatos e nomes foram suprimidos por fugirem ao objetivo desta apresentação. O original datilografado precisou de correções, devido ao hidrocor que na cópia inviabilizou a leitura; imperfeição ficou.

À reflexão. 
 
(*) Ernesto Caruso é Coronel Rfm do Exército Brasileiro

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