Wilson Tosta
O Estado de S. Paulo - 22/08/2013 

Informados de que estão proibi­dos de visitar o quartel onde fun­cionou o Destacamento de Ope­rações de Informações (DOI) do I Exército - centro de repressão da ditadura, localizado na Tijuca - os integrantes da Co­missão da Verdade do Rio decidiram ontem pedir ao ministro da Defesa, Celso Amorim, que libere o acesso. Em caso de outra negativa, irão à Justiça.

A estratégia foi anunciada pelo presidente da comissão, Wadih Damous, depois de saber do j general Francisco Carlos Mo­desto, chefe do Comando Mili­tar do Leste, que somente o co­mandante da Força, general Enzo Peri, pode permitir a entrada no imóvel, onde hoje funciona o Io Batalhão de Polícia do Exército (BPE). A comissão quer co­nhecer o local e pedir seu tombamento e transformação em centro de memória.

"Esperamos que o ministro, que é um democrata, nos dê essa autorização. Caso isso não aconteça, seremos obrigados a recorrer ao Judiciário", afir­mou Damous, recebido à tarde, pelo general, no Palácio Duque de Caxias - o antigo Ministério da Guerra. "O Exército mostra uma resistência muito grande a passar a limpo o seu passado", afirmou.

O presidente da comissão lembrou que no DOI do Rio hou­ve prisões, torturas, assassina­tos e desaparecimentos políticos, nos anos 70. Entre os desa­parecidos na unidade figuram o ex-deputado Rubens Paiva e o jornalista Mário Alves.

O Estado apurou que, no en­contro, o general Modesto indi­cou que o ministro Celso Amo­rim não cuida de questões internas do Exército. De manhã, a co­missão havia ido direto para o prédio da Tijuca mas só conse­guiu ser recebida por vinte minutos pelo comandante do I° BPE, tenente-coronel Luciano Simões. Com Damous estavam o deputado federal Ivan Valen­te (PSOL-SP), os deputados es­taduais Gilberto Palmares e Robson Leite, do PT, e os ex-pre­sos políticos Álvaro Caldas e Ce­cília Coimbra.

Embora cordial, o militar ex­plicou que estava cumprindo or­dens ao não autorizar a entrada nas instalações do antigo DOI- CodL Na véspera, o comando já havia informado que não permi­tiria a visita. Alegava que, por ser estadual, a comissão do Rio não tem jurisdição na unidade, que é federal.

Na conversa, Álvaro e Cecília descreveram as torturas que so­freram ali. "Eu lamento profun­damente", afirmou o oficial, se­gundo relato de Cecília
 
 

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