Objetivo é que grupo seja ouvido também pela Comissão da Verdade
Evandro Éboli
O Globo - 03/08/2013  
BRASÍLIA
O governo enviou anteontem para a Justiça Federal uma relação de 220 nomes de militares que supostamente atuaram na Guerrilha do Araguaia, no início da década de 70. A grande maioria, 128 deles, era soldado na época. A lista foi elaborada pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O objetivo é que esses militares sejam ouvidos e também dar cumprimento a sentença da juíza Solange Salgado, da Justiça Federal de Brasília, que obrigou o governo a informar a localização dos mortos pela ditadura. O presidente da Comissão de Mortos, Marco Antônio Barbosa, disse que a Justiça tem poder de intimar esses militares, prerrogativa que o colegiado que comanda não tem.

- A Justiça tem poder de intimar as pessoas, até coercitivamente, se for o caso. Se recusarem, serão obrigados a depor, como se diz, sob vara. Esses depoimentos podem ajudar na localização das ossadas dos mortos na guerrilha - disse Barbosa.

A lista foi enviada também à Comissão Nacional da Verdade, que tem poderes de convocar as pessoas. A comissão tem um grupo específico para analisar a Guerrilha do Araguaia. Os 220 nomes foram retirados de documentos oficiais com relação dos militares que participaram da guerrilha em várias unidades e de material fornecido por parentes de desaparecidos.

O ofício enviado à Justiça foi assinado também pelo procurador da República Ivan Cláudio Marx, que já ajuizou ações penais contra oficiais do Exército que estiveram em ação na guerrilha. O procurador integra o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), formado pelo governo para fazer expedições na região e buscar informações sobre restos mortais dos guerrilheiros.

- É uma relação bem minuciosa de militares que comprovadamente estiveram na guerrilha. Está relatada ali a função de cada um e sua patente à época. Esses militares podem dar muitos esclarecimentos - disse Ivan Marx.

 
 

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