Por ROBERTO FENDT*
A Folha deu notícia insólita, porém verdadeira: “Funcionário do Ministério das Comunicações paga com cartão reforma de mesa de sinuca”. Dizia o Barão de Itararé que de onde menos se espera é que não sai nada. No nosso caso a situação se inverte: de onde menos se espera é que sai o fato novo, a reforma de uma mesa de sinuca do Ministério das Comunicações paga com cartão corporativo.

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De fato, quem imaginaria que há uma mesa de sinuca no Ministério das Comunicações? Há mais mesas no ministério? Quem joga sinuca no Ministério das Comunicações? Joga-se durante ou fora do expediente?

Mais curioso é o pagamento com o cartão corporativo. Como foi amplamente divulgado pelo governo, o cartão distribuído aos mais de onze mil funcionários destina-se ao pagamento de despesas inesperadas e urgentes. O que teria ocorrido com a mesa de sinuca? Algum jogador de primeira viagem teria rompido o pano verde, inutilizando a mesa para a prática do esporte?

Se assim foi, de fato a ocorrência deve ter sido inesperada, o que talvez indique que a mesa fosse anteriormente apenas utilizada por mestres da arte da sinuca, tendo um amador contrariado as normas e, desastrado, causado o dano inesperado.

Contudo, fica a pergunta: por que a urgência do conserto? Teria sido interrompido um torneio, justificando o uso do cartão e dispensada a tomada de preços? Por que o conserto da mesa de sinuca não pode esperar até que essa formalidade fosse atendida?

Com relação ao funcionário que providenciou o conserto, pagando com o cartão, louve-se a criatividade em parcelar em duas vezes o pagamento, já que de outra forma não seria possível usar o cartão: o limite de despesa teria sido ultrapassado. Isso apenas reforça o argumento da urgência, ficando apenas no ar a dúvida quanto à natureza do imperativo.

 

* VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

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