Será que o chefe vai ser incluído na quadrilha?

Por Coronel Roberto Rodrigues

Se Adolf Hitler tivesse sido julgado em Nurembergue, teria sido condenado à morte. Entretanto, e a exemplo do que ocorreu com todos os demais réus, teria tido direito à defesa.
A acusação, certa da condenação, jamais teria se preocupado em provar a participação do réu na execução de opositores políticos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e seis milhões de judeus. Não precisava. Se precisasse fazê-lo, todavia, ver-se-ia diante de um problema: a inexistência de provas.
Em seu principal argumento, a defesa insistiria em dizer que seu cliente “não sabia de nada”. 

Salvo engano, os pesquisadores da história contemporânea alemã ainda não encontraram uma prova escrita capaz de caracterizar a participação de Hitler nos crimes contra a humanidade que todos sabemos que cometeu.

 E por que?
Porque Hitler nunca produziu provas contra si mesmo. Cometeu barbaridades, mas suas ordens eram sempre emitidas por via oral e sem testemunhas. Além disso, é sabido e comprovado que seus principais subordinados assumiam todas as responsabilidades. Quando Himmler ou Goering executavam as ordens de Hitler, nunca diziam que “o Führer mandou fazer isto ou aquilo”.
Até onde sei, nenhum dos réus condenados em Nurembergue atribuiu sua culpa ao chefe, aliás já falecido. Cada qual tentou se defender como pôde. Algo perfeitamente aceitável, uma vez que todos sabiam, de antemão, que seriam condenados à morte.
Quem se interessa por este tema não tem como escapar de uma indagação: o que teria levado aquelas pessoas a selar semelhante pacto, optando por tão exacerbada lealdade ao Partido e ao seu líder?
Até hoje, só encontrei três razões: a ambição, a certeza da vitória e a garantia da impunidade.
Mas o que aconteceria se o tribunal não fosse uma Corte Marcial e o julgamento tivesse um caráter eminentemente técnico? Se o líder ainda estivesse vivo e não fosse acusado, por falta de provas? Se o pacto continuasse de pé, alguns dos juizes fossem simpatizantes do nacional-socialismo e os réus ainda tivessem esperança na absolvição ou na prescrição dos seus crimes?
Na Alemanha, seria algo estapafúrdio e inconcebível, mas, no Pindorama do século XXI, a ficção não está tão longe da realidade, e qualquer coincidência com o “Mensalão” é mera semelhança.   

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