Gen Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo    
 Brasília, DF, 31 de março de 2013         
Diante da possibilidade de os antigos agentes que atuaram na repressão serem convidados ou obrigados a comparecer perante os doutos membros da Comissão da Verdade, as opiniões são divergentes. 
Divergentes, é claro, entre os que aplaudem ou simpatizam com o heroico papel daqueles cidadãos.        
Ambos os lados primam pela honestidade, pela retidão de caráter e pela verdade acima de tudo.      

 Contudo, uns acreditam piamente, que os agentes serão iluminados pela luz divina e como um passe de mágica, poderão trazer ao conhecimento publico o que de fato aconteceu.            
 Inocentes, preferem esquecer que os membros da Comissão foram escolhidos a dedo, e torcem para que, inexplicavelmente, eles sejam ungidos pela imparcialidade da justiça.       
Durante o seu depoimento, os seus acusadores ficarão calados e envergonhados e serão capazes de aventar a possibilidade de devolverem as polpudas indenizações que receberam.       
Sem duvida, será um momento de raro esplendor, pois toda a grandeza da verdade inundaria o salão com um arco - íris de beleza incomparável.     
 Após prestar suas declarações, os agentes seriam aplaudidos, copiosamente. Descobertos, os acusadores, cabisbaixos, deixariam o recinto o mais na moita possível.          
Segundo a imprensa, seria o final de um revanchismo quase que centenário. A Comissão seria extinta pelo clamor público.        
 Bem, o outro lado, mais realista, apoia - se no que vem acontecendo há décadas, uma implacável perseguição, nas vultosas indenizações já pagas aos terroristas, de que até o presente o tal de contraditório foi letra morta, no endeusamento de inúmeros assassinos, nos monumentos aos heróis da subversão,...          
 Estes estão convictos de que ao adentrar à sessão da Comissão os agentes estarão de fato ingressando num dos antigos aparelhos da subversão, e serão doutrinados até à pleura e incentivados ao arrependimento, e de que nada sofrerão caso reneguem a sua antiga função.       
 Estes pessimistas ou realistas acreditam que mestres na distorção do pensamento, artífices no embrulhar incautos procederão ao perguntório que massacrará os bem intencionados agentes.         
Estes, escolados com as CPMIs e CPIs que foram televisadas e redundaram em absolutamente nada, adivinham que neste palco, os agentes serão ridicularizados e desmoralizados, pois a cada declaração sua, uma enxurrada de ataques veementes desqualificarão as suas palavras. Por mais sinceras e verdadeiras que elas sejam.         
Esperamos que as divergências sejam meras especulações entre os veementes cultuadores da verdade acima de tudo e a qualquer preço, e os calejados e descrentes que olham com apreensão o que acontece aos nossos olhos e, por isso, alegam que pode predominar, conforme o desejo do freguês, a inverdade, a meia verdade acima de tudo e a qualquer preço, desde que pago pelos outros.         
Aqueles que acreditam que um dia o revanchismo terá fim, que a verdade assomará e derrotará a inverdade e a meia verdade, lamentamos, pois nada sinaliza que este dia chegará.       
  Infelizmente.     

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