"Legistas acharam duas ossadas em operação controversa
O Globo – 10/03/2013
BRASÍLIA — Os restos mortais de 25 possíveis desaparecidos políticos que estão em análise por peritos da União guardam um mistério: duas ossadas são de crianças, uma com idade entre 3 e 4 anos e outra entre 6 e 7 anos. O primeiro relatório dos peritos criminais e de médicos legistas que integram o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), que busca localização e identificação daqueles militantes, pediu autorização para devolvê-los ao cemitério de Xambioá (TO), um dos principais palcos da guerrilha. Elas não estão “incluídas nos perfis dos desaparecidos do Araguaia”. Os peritos sugerem que os dois sejam “devolvidos para a origem”.(...)
Observação do site www.averdadesufocada.com
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Apesar deste assunto já ter sido noticiado em alguns jornais com explicações para a presença das ossadas, aliás, explicações bastante contrangedoras - LEIA AQUI -, alguns jornalistas continuam publicando o assunto sem as devidas explicações.
Provavelmente, essas ossadas, serão devolvidas aos seus túmulos, sigilosamente, ao contrário de  como agem, quando identificam  os restos mortais de um guerrilheiro e os enterram com pompa e estardalhaço. Os malfeitos, como estes - uma tentativa de aumentarem mais a lista de mortos, o que fazem com frequência, quando são descobertos, não são noticiados com o mesmo destaque. 
"(...)Segundo o 1º Relatório do Comitê Gestor de Perícias do GTA, do final do ano passado, essas duas ossadas teriam sido recolhidas naquele cemitério nos dias 20 e 22 de outubro de 2001, numa expedição organizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a presença de de familiares de ex-perseguidos e equipe de técnicos e peritos. Ambas estão guardadas no Hospital Universitário de Brasília, da UnB. 
Mas outro mistério cerca esses restos mortais: eles não teriam sido colhidos na expedição apontada pelo documento. Representante dos familiares no GTA e na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, Diva Santana, que acompanhou aquela missão e é assídua participante das buscas no Araguaia, assegura que essas duas ossadas não foram retiradas naqueles dias. As reportagens da cobertura daqueles dias da expedição — incluídas as de O GLOBO — não registraram esses achados, mas a localização e retirada de três ossadas de adultos. 
Aquelas escavações colheram os restos de um homem com os punhos amarrados para trás e sem as mãos. Teria entre 24 a 32 anos. Cogitou-se até que poderia ser o corpo do militante Paulo Roberto Marques, que usava o codinome Amauri. Ossadas de homem e uma mulher também foram encontradas. Ele vestia uma ceroula, e ela tinha características orientais. Foi enterrada em pé. Na época, parentes de desaparecidos apontaram semelhanças com Walquíria Afonso Costa, militante mineira do PCdoB.
Diva Santana afirmou que foi pega de surpresa com a presença de ossadas de crianças no relatório.
— As informações do relatório não condizem com a realidade. Não ocorreram exumações de crianças. Mesmo não sendo técnica ou perita, sabemos identificar. Mas tinham lá os profissionais. Trabalhamos juntos com os legistas e peritos, nos reuníamos todas as noites para fazer balanço. Não sei o que pensar — disse Diva Santana, que procurou todos os familiares que participaram daquela viagem e tenta localizar os peritos da expedição.
Em Brasília, essas ossadas fizeram um périplo por quatro lugares. Primeiro, foram armazenadas no Instituto de Medicina Legal (IML); depois, foram parar nos escaninhos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; o terceiro paradeiro foi a Comissão de Mortos e Desaparecidos, da Secretaria de Direitos Humanos; e, por último, o hospital da UnB, onde estão até hoje.
O comitê de peritos subsidia o GTA com informações e levantamento de dados. Além das 25 ossadas, foram colhidos cinco outros materiais, que são fragmentos ósseos, cápsulas, dentes, frascos e rótulos."

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