Militar perde a vida ao tentar resgatar amigos dentro de boate
Tenente carioca morreu asfixiado após retornar ao local do incêndio
Leonardo Machado de Lacerda tinha 28 anos e estava em Santa Maria há um mês
O instinto incontrolável de ajudar os amigos acabou custando a vida de Leonardo Machado de Lacerda, 28 anos, tenente da Cavalaria do Exército. Há cinco anos morando no Rio Grande do Sul, o carioca estava na Boate Kiss quando o desespero tomou contas de todos que tentavam escapar da asfixia causada pela fumaça que vitimou mais de 200 pessoas num dos mais trágicos incêndios da história do país.
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Em meio ao pânico e gritaria, Lacerda chegou a tirar um amigo do estabelecimento e não hesitou em retornar para tentar resgatar outros que ficaram lá dentro. A ansiedade em salvar os colegas, porém, acabou encerrando a trajetória de um jovem apaixonado pelo serviço militar.
— Uma das maiores paixões dele eram carros blindados, ele estava muito feliz com a transferência para Santa Maria — conta o médico Carlos Sparta, 26 anos, que trabalhou ao lado de Lacerda em Rosário do Sul.
Nascido no Rio de Janeiro, o jovem mudou-se para o Rio Grande do Sul em 2008 para trabalhar no Exército. Permaneceu em Rosário do Sul até dezembro de 2012, quando recebeu a notícia da transferência para a cidade da região Central do Estado.
— Estive com ele há 15 dias no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, quando ele me falou das perspectivas de trabalhar na nova unidade. Ele gostava muito do Rio Grande do Sul — conta Lacerda.
Ao saber da notícia da tragédia pela televisão na manhã de domingo, o médico imediatamente se preocupou com o amigo e tentou entrar em contato pelo celular.
— Chamou várias vezes e nada. Leonardo foi um grande companheiro, que sempre esteve ao lado dos amigos nas horas mais difíceis, até mesmo no momento que lhe custou a vida — disse, emocionado, o amigo.
O corpo de Lacerda foi reconhecido ontem em Santa Maria pelos pais, que moram no Rio de Janeiro.

A tragédia
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelcimento, mais de 200 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

 

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