Cláudio Lemos Fonteles, ex-membro
 AP - Ação Popular -, com um compa-
nheiro de organização - Paulo Fonteles -,
 que esteve preso e que depois de solto,
foi morto em conflitos agrários na região
do Araguaia, terá isenção para apurar a
VERDADE?
Por Juliana Braga - Correio Braziliense - 16/01/2013
A presidente Dilma Rousseff recebeu ontem no Palácio do Planalto o coordenador da Comissão da Nacional da Verdade, Cláudio Fontelles. Após ter uma audiência desmarcada na segunda-feira, os dois conversaram sobre uma reunião que a presidente vai ter com todos os integrantes da comissão entre o fim de fevereiro e o início de março. Ontem, em Brasília, o grupo também se reuniu com a Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul, que entregou novos documentos relacionados ao caso do deputado Rubens Paiva, desaparecido na época da ditadura militar, e assinou um termo de cooperação com o Programa da Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Texto completo

 

O encontro no Palácio do Planalto foi preparatório para o que deve acontecer entre fevereiro e março. Fontelles foi convidado pela presidente e aproveitou a oportunidade para apresentar à Dilma a demanda do grupo, que pleiteia há algum tempo uma reunião com a chefe do Poder Executivo. O fato de a presidente ter desmarcado a reunião de segunda-feira, inclusive, chegou a causar um desconforto.

Segundo Fontelles, um dos assuntos tratados foi a próxima coordenação. O ex-procurador-geral da República deixa o cargo em fevereiro e será substituído por um dos integrantes da comissão. O substituto será escolhido pelo grupo na sua próxima reunião, em 28 de janeiro. Segundo ele, a reunião não foi para prestar contas do andamento dos trabalho à Dilma. “A gente conversa com todo mundo. Ministros de Estado vieram aqui, a gente se abre, dialoga. Eu falei com ela para fazer uma pré-agendazinha e a gente se encontra lá (entre fevereiro e março)”, explicou.

Rubens Paiva
Ontem à tarde, a comissão se reuniu com representantes da Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul. No fim do ano passado, o governador do estado, Tarso Genro, entregou à CNV documentos inéditos do coronel reformado Júlio Miguel Molinas Dias, comandante de um dos principais aparelhos de repressão da ditadura, o DOI-Codi do Rio de Janeiro. O coronel foi assassinado em um tiroteio na frente da casa dele e os documentos foram encontrados pela polícia. Entre os papéis, foram localizadas informações sobre o deputado Rubens Paiva, cassado em 1964, que foi preso pelos agentes da repressão e nunca mais foi visto pela família. O Exército jamais assumiu a responsabilidade pelo desaparecimento do parlamentar.

Nos documentos encontrados, foi registrado que os militares buscaram Paiva e que ele foi conduzido em seu carro, um Buick Opel, até o DOI-Codi. Foram encontradas também roupas, dinheiro e uma carteira do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura que pertenciam ao deputado.

Na reunião de ontem, a Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul, acompanhado pelo chefe da Casa Civil do estado, Carlos Pestana, veio trazer cópias complementares dos documentos de Molinas. Também discutiram com a CNV a data de realização de uma audiência pública no estado.

A Comissão da Verdade também assinou ontem um acordo de cooperação técnica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que prestará assessoria em três eixos: pesquisa, articulação e comunicação. O orçamento do órgão da ONU na CNV é de R$ 4,3 milhões.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Comissão da Verdade recebe mais documentos do RS
 RAFAEL MORAES MOURA - Agência Estado - 15/01/2013
A Comissão Nacional da Verdade recebeu nesta terça-feira mais documentos entregues por representantes do governo do Rio Grande do Sul. Em novembro passado, a comissão já havia recebido papéis encontrados na casa do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, assassinado quando chegava em sua casa, em Porto Alegre.
Os documentos entregues em novembro diziam respeito a dois episódios: a morte do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em 1981. Segundo o coordenador da comissão, Cláudio Fonteles, as 40 novas páginas entregues nesta terça são só uma "complementação".

"A documentação é só coisas formais, burocráticas, eu tenho de ver o que é", disse o coordenador, após deixar as dependências do Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília, onde está instalado o grupo.

A comissão também assinou nesta terça um acordo de cooperação técnica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que prevê a aplicação de R$ 4,3 milhões até 2014 em estratégia de pesquisa e sistematização de informações.

Mais cedo, pela manhã, Fonteles se reuniu com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto e ficou de agendar um encontro dela com os integrantes da comissão. "Foi simplesmente uma conversa. Conversamos sobre tudo, até sobre filosofia", afirmou.

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade disse que vai deixar a coordenação da comissão e que o seu substituto deverá ser escolhido no dia 28 de janeiro.

Entre os objetivos da comissão estabelecidos em lei estão "esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos" entre 1946 e 1988 e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".

 

Comments powered by CComment