Daniel AArão Reis Filho-Membro da  Movimento
Revolucionário 8 de outubro - MR-8
Fonte Projeto Orvil
A formação da Dissidência da Guanabara 

No processo da luta interna no PCB, surgiu, em 1966, no ambito do Comitê Universitãrio desse Partido, no Rio de Janeiro, uma "fração" que fazia constantes críticas às posições "moderadas"dos reformistas.
Em fevereiro de 1967, numa casa de temporada em Petrópolis, essa "fração" realizou uma Conferência, rompeu com o PCB e  passou a constituir a Dissidência da Guanabara
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A Dissiência da Guanabara era dirigida por Jorge Eduardo Saavedra Durão, Sérgio Emanuel Dias Campos, Jorge  Emílio Bonet Guilayn, Nelson Levy, Yedda Botelho Salles, Luiz Eduardo Prado, Luiz Roberto Tenório e Jorge Miguel Meyer. É interessante ressaltar que apesar de Wladimir Palmeira  possuir grande influência na Dissidência da Guanabara , onde militava, não quis faz parte de sua direção, talvez para não deixar revelada, abertamente, sua posição ideológica no movimento universitário, onde tinha projeção.
Nessa  I Conferência da Dissidência da Guanabara, a organizaçao formulou a sua linha política, através de um "documento-base", eivada de indefinições. Apesar de apoiar o Partido Comunista da China na sua luta ideológica contra o revisionismo, estabelecia que isso não poderia significar "a perda do espirito critico em relação aos erros dos comunistas chineses, principalmente na sua política externa". Apesar de apoiar a Organização Latino Americana de Solidariedade - OLAS -, ressaltava que isso não poderia implicar "na aceitação total de seu programa ou diretriz".
 Definindo-se por uma revolução socialista, estabelecia quatro fases para a Guerra Revolucionária.
O Brasil estava atravessando a primeira fase: a preparação da luta armada.
O 'foco guerrilheiro' seria implantado na segunda fase.
A "guerra de guerrilhas", as "insurreições na cidade e no campo" e a criação de "comandos urbanos" comporiam a terceira fase.
A quarta fase seria a da "ofensiva geral estratégica".
No decorrer de 1967, a Dissidência da Guanabara sofreu um vigoroso processo de luta política interna. No intuito de tentar resolver o impasse, a organização realizou, em dezembro de 1967, num convento da cidade de Petrópolis, a sua II Conferência, na qual ficou nítida a existência de três linhas de opinião.
O grupo vencedor, de posições mais moderadas, pregava a unidade da organização e, liderado por Daniel Aarão dos Reis Filho, Wladimir Palmeira, Stuart Edgar Angel Jones e Luiz Eduardo Prado de Oliveira, prosseguiu o trabalho junto aos  estudantes da cidade do Rio de Janeiro. Alguns meses depois, entretanto, radicalizaria sua posição, adotando um militarismo foquista.
O segundo grupo, conhecido como "grupo dos foquistas", defendia idéias militaristas, tais como a formação do foco guerrilheiro e a negação do partido. Derrotado, o grupo, liderado por Jorge Eduardo Saavedra Durão e Sérgio Emanuel Dias Campos, saiu da Dissidência da Guanabara e organizou a chamada Dissidência da Dissidência, que, meses após, curiosamente, passaria a adotar uma visão crítica do militarismo.
O terceiro grupo, dirigido, por René Louis Laugerie de Carvalho (filho de Apolônio de Carvalho), Marco Antonio Costa de Medeiros e Jorge Emilio Bonet Guilayn, compunha, na ocasião, o chamado "grupo dos correntistas", simpático à linha da Corrente Revolucionária. Mais tarde, esse grupo veio a constituir-se, num dos alicerces da formação do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).
 O MR-8 estende suas atividades ao Paraná
Ainda no final de 1967, o MR-8 passou a dedicar-se ao levantamento político, sócial e econômico do território nacional, com o objetivo de selecionar uma ou mais regiões propícias à instalação de um foco guerrilheiro. Selecionada a área para o início do processo - o Sudoeste do Paraná-, em princípios de 1968, um  grupo de militantes embrenhou-se nas matas do Parque Nacional do Iguaçu, para realizar o levantamento topográfico da região.
Em julho de 1968, a situação financeira do MR-8 tornou-se crítica. Baseado, por suas origens,  no Estado do Rio de Janeiro, a organização mantinha ali uma "frente de publicações", além de grupos de contatos e de recrutamento. A abertura dos trabalhos no Paraná e o sustento dos militantes "profissionalizados" (os comunistas chamavam de "profissionalizados" os militantes que dedicavam tempo integral à organização e eram por ela sustentados) fizeram com que diminuíssem os recursos financeiros, conseguidos, até então, apenas pela contribuição de militantes, simpatizantes e colaboradores.
Em agosto, o militante Mauro Fernando de Souza deu um desfalque de 60 milhões de cruzeiros (60 mil cruzeiros novos), no banco em que trabalhava, o Banco Mercantil de Niterói. Canalizado para o MR-8, esse dinheiro desafogou, temporariamente, os problemas da organização. No Paraná, foram montados alguns "aparelhos" em Curitiba e adquiridos dois sítios, um na região denominada de Boipicuá, na estrada para Assis'Chateaubriand, a 25 km do município de Cascavel, e outro, conhecido por Banhadão,nas proximidades de Matelândia, como "aparelho" rural alternativo. Compraram-se diversas viaturas e iniciou-se a montagem de  uma infra- estrutura básica.
Entretanto, o dinheiro obtido nao seria suficiente para manter as duas frentes de atuação, no Rio de Janeiro  e no Paraná.
Em dezembro, a direção do MR-8 decidiu criar, no   Rio de Janeiro, um "Comando de Expropriações"  afim de conseguir fundos por meio de assaltos, roubos e furtos. O Comando Político foi deslocado para o Paraná, para melhor concentrar esforços no projetado foco guerrilheiro.
O MR-8 lograra assentar 26 militantes no eixo Curitiba - Cascave l- Matelandia .
A DI/GB atua no Movimento Estudantil
Dividida pela II Conferência, realizada em dezembro de 1967, em Petrópolis, a DI/GB optou pela atuação no Movimento Estudantil (ME), escudada pelo domínio que possuía na União Metropolitana de Estudantes e na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com isso, a DI/GB esteve a cavaleiro das agitações de rua ocorridas na Guanabara, no ano de 1968, por meio de seus militantes Wladimir Palmeira, Franklin de Souza Martins, Carlos Alberto Vieira Muniz e Luiz Eduardo Prado de Oliveira, além dos irmãos Daniel e Samuel Aarão Reis.
A organização tinha a sua maior fonte de recrutamento no ME, por meio da direção dos Grupos de Estudo (GE) e dos organismos parapartidãrios (OPP).
Os GE eram vistos como a porta.de entrada  para a DI/GB e atuavam, apenas, no Movimento Estudantil. Seus "integrantes" estudavam o marxismo-leninismo, particularmente as concepções cubanas de revoluções, e as conjunturas cubanas de revolução, e as conjunturas internacional e brasileira.
Dos Grupos de Estudos , seus melhores integrantes passavam para os OPP, onde tomavam conhecimento da existência da DI/GB e estudavam sua linha política. Embora possuíssem uma estrutura autônoma,os OPP obedeciam às decisões da organização e seus militantes usavam codinomes.e recebiam orientações para atingir um determinado nível de prática política organizada, ingressando na DI/GB.
A prisão de Wladirnir Palmeita  e Franklin Martins no Congresso de Ibiúna, em outubro de 1968, mostrou à  organização que o Movimento Estudantil, por si só, não conseguiria realizar a pretendida revolução. Sob uma visão essencialmente militarista, a DI/GB encerraria o ano de 1968 preparando-se para iniciar as ações armadas, formando um primeiro grupo de ação
Esse primeiro grupo de ação da DI/GD era constituído por Daniel AArão Reis Filho, João Lopes Salgado, Cid Queirós Benjamim, Cládio Torres da SIlva  e Stuart Edgard Angel Jones.
A Dissidência da Dissidência
Durante o transcorrer da II Conferência da Dissidência  da Guanabara(DI/GB), em 'Petrópolis, acirraram-se as divergências formando-se três grupos.
Um deles, denominado de "grupo dos foquistas" e liderado por Jorge Eduardo Saavedra Durão, Sérgio Emanuel Dias Campos e Âlvaro Arthur do Couto Lemos Neto, defendia as posições de Guevara e Debray. Esse grupo,sentido que se tornava impossível a sua permanencia na DI/GB, desligou-se dessa organização e, ainda no final de 1967 criou a Dissidência da Dissidência ( DDD).
Era um grupo reduzido, com cerca de duas dezenas de militantes , recrutado por meio de Grupos de Estudos  que se organizavam entre os estudantes secundaristas e universitários.
Entre os principais militantes do DDD além dos três já sitados, encontravam-se Fernando Luiz Nogueira de Souza, Cláudio Jorge Câmara, Carlos Minc Baumfeld,Sérgio de Faria Pinho, Ana Ctistina Zahar, Wilson Thimóteo Júnior e Flávia de Thimóteo.
Apesar de apoiar a luta armada, a DDD nunca executou  nenhuma ação, limitando-se a intermináveis discussões sobre sua linha política, efetuada num apartamento de Copacabana /RJ. Por meio de sua Seção Operária chegou a distribuir panfletos em bairros operários e por meio da Seção Estudantil participou das agitações ocorridas na Guanabara, em 1968.
Desde cedo, a DDD buscou contatos com outras organizações. No início de 1968, estabeleceu relações com a Dissidência de São Paulo ( DI/SP)  do PCB, para lá deslocando o militante Cláudio Jorge Câmara. Em meados desse ano , chegou a manter infrutíferos contatos com o núcleo marxizta-leninista ( NML ) Dissidência da AP  da Guanabara., abandonados em face das divergências entre suas linhas políticas.
A partir do segundo semestre de 1968, por meio de Jorge Eduardo Saavedra Durão, A DDD iniciou contatos com o Comando de Libertação Nacional ( COLINA), este representado por Maria do Carmo Brito, " A Lia" , o que propiciou, aos militantes da DDD treinamento de tiro e manuseio de explosivos.
Em março de 1969, após formular uma autocritica, a DDD resolveria dissolver-se e ingressar no COLINA.
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