Boris Tabacof  foi dirigente do
Comitê Estadual do PCB, o qual 
deixou somente em 1956, após
a revelação dos crimes de Stalin 
na URSS
FOTO: Marcelo Oliveira / ASCOM - CNV

Empresário relata tortura na era Vargas à Comissão da Verdade 
Estadão.com.br - 12/01/2013
Depoimento prestado pelo ex-integrante do PCB foi o primeiro referente a um período anterior ao regime militar
O engenheiro Boris Tabacof,  84 anos, ex-diretor do Grupo jSafra e atual presidente do Conselho de Administração da Suzano, se tornou a primeira pessoa a relatar á Comissão Na­cional da Verdade (CNV) tortu­ras cometidas por agentes do Estado brasileiro no período anterior à ditadura militar.
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Preso por motivos políticos em 1952, durante o governo de­mocrático de Getúlio Vargas (1951-1954), Tabacof foi confi­nado em celas no Forte do Barbalho, em Salvador, na Bahia, e sofreu espancamento e priva­ção de sono sob ameaça de uma baioneta. No total, ele fi­cou preso por 400 dias.
Tabacof, então com 24 anos, era membro do Partido Comu­nista Brasileiro (PCB) e apoiava um grupo de militares naciona­listas e comunistas que atuavam dentro das Forças Armadas. Era secretário de organização do co­mitê estadual da Bahia do PCB, o segundo cargo do partido no Es­tado. Foi preso em 20 de outu­bro de 1952, dentro de um ôni­bus, e conduzido à prisão.
"Me obrigaram a tirar a roupa e a ficar nu durante vários dias e a única coisa que tinha nesse cubículo era um balde para as necessi­dades e esse balde não era retira­do. Então tinha que dormir no chão e, de vez em quandochega­va um soldado e jogava água", re­lembrou. Segundo Tabacof, as ce­las ficam em um pátio central no Forte do Barbalho, eram semi-subterrâneas e tinham "grades cobertas de tábuas para ninguém ver o que estava acontecendo".
Trauma. Ele levou mais de 60 anos para superar o trauma e tra­zer a história a público. Para is­so, contou com apoio da filha, a psicanalista Heidi Tabaco. "Eu nunca conversei com a família, nem com ninguém (sobre esses fatos). Claro que a gente vai ten­do essas marcas, que aí já é as­sunto da doutora Maria Rita (Kehl, psicanalista integrante da CNV), eu não sei explicar por que, contar essas histórias, até mesmo dentro da família, foi sempre muito difícil", afirmou.
O depoimento do empresário foi concedido em novembro do ano passado, no gabinete da Pre­sidência da República em São Paulo, aos juristas José Carlos Dias e Paulo Sérgio Pinheiro e à psicanalista à Maria Rita Kehl, membros da CNV. Seu conteú­do só foi divulgado ontem.
A lei que instituiu a CNV prevê a apuração de raves violações de direitos humanos ocorridas no país desde o início do primeiro go­verno Vargas, em 1946, até a pro­mulgação da Constituição Fede­ral em vigor, em 1988. A Comissão tem um grupo de trabalho especí­fico para apurar violações no pe­ríodo anterior à ditadura militar, coordenado pela advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha.
Segundo afirmou à CVN, Taba­cof entrou no PCB com 17 anos, sob impacto dos crimes cometi­dos durante a 2a Guerra Mundial. Judeu e filho de imigrantes estava no primeiro ano de engenharia ci­vil, na Escola Politécnica da Ba­hia. Ele deixou o PCB em 1956, após a revelação dos crimes de Jo­sef Stalin na União Soviética. Após sair da prisão, Tabacof foi secretário da Fazenda do Esta­do da Bahia nas administrações dos Governadores Lomanto Jr. e Luiz Vianna Filho, entre 1965 e 1970. Também foi presidente do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) entre 1988 e 1989.

Observação do site www.averdadesufocada.com : Como se pode ver, em pleno regime democrático do presidente Getúlio Vargas, que depois de ditador voltou eleito pelo povo, os comunistas já se infiltravam  no meio militar, nas universidades, nas fábricas, nas igrejas, nas zonas rurais e se organizavam para a tomada do poder, enviando militantes para cursos de guerrilhas em paises comunistas.  

 

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