General  Brigada
   Paulo Chagas
O encontro dos Comandantes das Forças Armadas com membros da “Comissão Nacional da Verdade”
Por Gen Bda Paulo Chagas
Caros amigos
Segundo o noticiário, os Comandantes das Forças Armadas encontraram-se reservadamente com membros da “Comissão Nacional da Verdade” e, na ocasião, espero, não devem ter desperdiçado a oportunidade para dizer-lhes que são preceitos da ética, pressupostos da dignidade pessoal e fundamentos da honra militar o culto à verdade, a lealdade, a probidade e a responsabilidade e que, portanto, nenhum soldado poderá ser contrário a uma comissão que pretenda revelar a “verdade” sobre qualquer assunto ou fato histórico.
Devem ter-lhes dito também que quem quiser conhecer a “verdade” deve pesquisar todas as suas versões, nuances, provas e fatos e não contentar-se apenas com os que lhe convém ou com os que lhe foram “contados” por uma das partes, enfatizando que estes não serão mais do que pontos de vista ou, no máximo, uma versão da verdade, porquanto as versões são relativas e dependentes do crivo dos valores de quem por delas tem interesses e das circunstâncias que as envolveram.
Devem ter-lhes aconselhado a - antes de pesquisar as atitudes, as formas de atuação e os possíveis excessos dos órgãos e agentes do Estado - conhecer os atos de violência seletiva e indiscriminada que impuseram a conduta repressiva, porquanto uma postura diferente desta é o mesmo que querer tratar a doença sem conhecer suas causas. É trabalho incompleto, faccioso, distorcido e fadado ao fracasso, caso busque, de fato, apenas a verdade!
Devem ter colhido o ensejo para mostrar-lhes que erra quem pensa que aos militares não interessa tornar público, claro e transparente todos os fatos ocorridos no período abrangido pela pesquisa que pretendem fazer para, ao final, entregá-los ao julgamento dos valores e dos princípios de cada cidadão brasileiro.
Devem ter-lhes feito ver que erra também quem, inocentemente ou não, aceita, passivamente, a distorção dos objetivos estipuladas na proposta que instituiu a CNV, qual seja a de deter-se nas consequências e fechar os olhos para as causas, as circunstâncias e o ambiente em que se deram os fatos que alegam querer esclarecer. Há que se devassar os fatos para conhecer a verdade e fazer justiça!
Acreditando na firmeza, na franqueza e na desejada veemência da argumentação dos Comandantes, espero que eles os tenham convencido de que qualquer coisa diferente disso revelará tão somente os pontos de vista dos que se interessam, apenas, por mentiras ou meias verdades.
Após esta conversa, caso não ocorra mudança na abrangência, na atitude e na estratégia das investigações, estará provado e comprovado o comprometimento da CNV com a má fé e com a falsificação da história ou o seu descrédito e o seu desrespeito à argumentação lógica e justa que deve ter sido apresentada pelos Comandantes Militares!

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