Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - 27/12/2012
O país fica devendo ao Supremo Tribunal Federal não apenas a condenação de bandidos que avançaram em recursos públicos, formaram quadrilha, praticaram corrupção ativa e passiva e, acima de tudo, compraram deputados com mensalidades de 30 mil reais, muitos até agora desconhecidos, em troca de votarem com o governo Lula. Tudo é salutar, em especial quando se tem como próxima a prisão por muitos anos de 25 mensaleiros, alguns em regime fechado.
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São salutares esses resultados, como a demonstrar estarem as coisas mudando, sendo a lei igual para todos – ou quase todos.
Ressalte-se, porém, outro grande benefício para a sociedade, a partir do início do julgamento. A participação de figuras exponenciais na lambança serve para mostrar as entranhas do PT, um partido que se dizia diferente mas acabou flagrado nos mesmos crimes de outros. Deixou de existir aquele funesto perigo de a legenda dos companheiros tornar-se absoluta, à maneira de nazistas e comunistas, tanto faz. Interrompeu-se uma progressão infernal.
Da mesma forma, as revelações que ainda se sucedem estão servindo para golpear de forma definitiva o culto à personalidade que vinha transformando o Lula numa espécie de semi-deus, messias situado acima do bem e do mal. Sabendo ou não do que se passava à sua sombra, autorizando ou não o mensalão, o ex-presidente aparece agora como homem comum, sujeito aos percalços e às tentações de todos nós. Estamos escapando do mito que um dia elevou tantos ditadores às alturas, para depois despencá-los nas profundezas. Melhor assim.

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