Por Carlos Alberto Brilhante Ustra - Cel Ref EB
 O "Diário Gaúcho" de 18/12/2012 publicou:
"A Polícia Civil prendeu, no início da manhã desta terça-feira, três pessoas, entre elas dois PMs, sob suspeita de envolvimento no assassinato do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, ocorrido em 1º de novembro, em Porto Alegre. Uma quarta pessoa que também estaria envolvida acabou presa cerca de uma hora depois. Segundo a polícia, os dois PMs teriam arquitetado um assalto à casa do militar com intenção de roubar 23 armas que faziam parte do arsenal particular de Molinas."
 Alguns talvez tenham achado que o caso foi, finalmente, esclarecido. Para muitos, continuam dúvidas a serem esclarecidas!...

Para relembrar o caso, segundo o jornal Zero Hora:
-" O coronel reformado do Exército Julio Miguel Molinas Dias, assassinado em Porto Alegre na noite de 1º de novembro, mantinha em casa dossiês sobre sua atividade dos tempos de caserna. Uma série de arquivos de papelão contendo folhas datilografadas com dados sobre o funcionamento dos serviços de contraespionagem da ditadura militar foram encontrados na sua residência."
" Na casa do coronel a Polícia Civil arrecadou documentos com informações da rotina do DOI - CODI, incluindo ofício até então mantido em sigilo, que comprova a entrada do ex-deputado federal por São Paulo Rubens Paiva em janeiro de 1971, após ser preso pelos agentes da repressão da Aeronautica".
 
A imprensa também publicou que:
O chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Junior, e também o delegado Luís Fernando Martins de Oliveira, da 14ª Delegacia de Polícia Civil (bairro Vila Jardim) da Capital e responsável por investigar a morte do coronel, entregaram  nas mãos do governador Tarso Genro os documentos apreendidos. O governador fez a entrega solene dos documentos, no Palácio Piratini, sede do governo, à Comissão Nacional da Verdade, que passou a investigar a vida do Corel Molinas. Tudo publicado com destaque pela imprensa.
 
Algumas considerações:
 1 - O passado do  Cel Molinas era muito pouco conhecido. Segundo colegas seus, vizinhos e a própria imprensa , ele era bastante discreto e poucos sabiam que comandara o DOI/CODI/I EX. Eu, que havia pertencido a  comunidade de informações e que comandara o DOI/CODI de São Paulo, entre 29/09/1970 e 13/12/1973,  não tinha ouvido falar no seu nome, assim como muitos colegas que trabalharam em informações. Entretanto, quando o jornal Zero Hora  publicou o seu assassinato, a manchete já anunciava que ele comandara aquele DOI, durante o Caso Rio Centro. Quem, com tanta presteza, teria informado ao jornal estas particularidades?
2 - Se ele era tão discreto, como os ladrões saberiam da coleção de armas, e por que não tentaram roubá-las enquanto o Cel Molinas não estava em casa?  Preferiram enfrentar um colecionador de armas, provavelmente bom atirador, para com ele entrar em sua residência?
 3 - Um assalto com 15 tiros? É dificil acreditar, embora seja possível, apesar de fugir à normalidade.
 4 - Polípio Braga , jornalista gaúcho levanta perguntas que não querem calar:
     
- Por que razão as autoridades policiais e do governo do PT do RS não querem estabelecer um vínculo entre os dois casos. Pode existir um ele criminoso e político entre ambos.
     - O que explica o fato de não terem sido periciados os documentos confiscados na casa do coronel.
     -  Quem foi o responsável pelo afastamento da Brigada Militar da cena do crime, já que cabe a ela o isolamento externo do local e ela não foi chamada.
    - De que modo entende-se que peritos do IGP e brigadianos não tenham ingressado na casa no momento da busca de material. Sequer um repórter foi convidado a acompanhar o trabalho.
    - Como é que os policiais não confiscaram as duas dezenas de armas encontradas na casa do coronel, ação praticada dias depois pelo Exército.
   - Como se sabe, no RS vivem não apenas agentes que serviram à ditadura militar, como o coronel assassinado, mas também agentes da extrema esquerda que empunharam armas e mataram covardemente muitas pessoas.
   - Este caso do coronel Molina tem um forte cheiro de revanche no ar - e de justiçamento.
 
5- Foi feito auto de apreensão dos documentos citados? Se eles foram apreendidos, deveriam ser anexados ao Inquérito e não poderiam ser entregues a terceiros. Muito estranho.
6 - Num assalto comum, sem que os ladrões entrem em casa, creio que a polícia não  costuma dar busca na residência da vítima. Não foi o caso do Cel Molinas. A busca foi feita e, segundo a polícia, na  casa foram encontrados documentos comprometedores, como o caso Rubens Paiva e a bomba no Rio Centro. 
7 - O Exército montou uma operação. Interditou a rua em que o Cel Molinas residia, apreendeu armas na sua casa e não viu  nenhum documento comprometedor? Os documentos que ele, novamente segundo a imprensa, guardava,  foram encontrados onde  e por quem? 
8 - O coronel Molinas comandava o DOI /CODI do Rio de Janeiro quando, em 30 de abril de 1981, explodiu a bomba no Rio Centro. Não sei ao certo, mas deve ter assumido o comando em 1980 ou 1981. 
9 - O caso Rubens Paiva foi em 1971, portanto dez anos antes de Molinas assumir o comando do DOI. Qual o interesse dele  em dar  busca nos documentos arquivados no DOI? Nesta pretensa busca encontrou e guardou, justamente, o documento que comprova a passagem de Rubens Paiva pelo DOI?  Fez uma cópia  ou pegou o original e guardou-o  em sua casa? Os documentos apreendidos serão verdadeiros ou forjados? Se forjados, quem os teria "plantado" em sua casa?
Todo esse material veio a ser apreendido por ocasião de sua morte, agora em 2012. Segundo outra versão, a famlila entregou este documento comprometedor à Policia Civil e não ao Exército, como seria o normal. Tem lógica?
10 - Essa hipótese de um  suposto assalto, com a Comissão da Verdade investigando a vida do cel Molinas, ao invés de tranquilizar a chamada Comunidade de Informações, nos deixa mais alertas quanto a possíveis tramóias de membros de organizações subversivo-terroristas para nos incriminar. 
 
Por este motivo, eu quero deixar público, como sempre afirmei,  que não tenho em meu poder nenhum documento comprometedor. Jamais  guardei em casa documentos sigilosos, fruto das operações de inteligência, mesmo porque eles eram encaminhados aos órgãos competentes na época, para conhecimento dos nossos superiores
O meu arquivo é o meu livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" que já está na 8ª edição e à venda ao público.
Escrevi este livro, entre outras coisas, porque na época - 2004 - falava-se muito em dar busca nas casas para procurar  documentos guardados por civis e militares. Assim, antes que viessem procurá-los em minha residência,  resolvi abrir os meus, alguns arquivados na memória, outros na memória de companheiros de luta, outros pesquisados em jornais, livros escritos por ex-militantes, revistas, na Internet, onde, também, pouca coisa existia sobre as atrocidades cometidas pelos terroristas e no ORVIL. Eu e minha mulher iniciamos as pesquisas para escrever o meu primeiro livro, Rompendo o Silêncio, em 1985 e continuamos a fazê-las no curso dos últimos vinte e cinco anos .
Possivelmente, nada de novo foi escrito por mim. Os dados pesquisados foram reunidos e ordenados para facilitar a leitura e o entendimento da mensagem que transmito no livro.
Quero deixar bem claro que a direita não tem nenhum motivo para me eliminar. Não tenho nenhum documento comprometedor que possa incriminar algum companheiro ou subordinado.
Portanto, se eu for eliminado,  não acreditem que foi queima de arquivo da direita .
Se acontecer, algo ruim comigo, podem ter certeza que ele terá vindo da esquerda revanchista.
Também, não acreditem em documentos comprometedores que teriam sido apreendidos em minha casa. Se eles aparecerem,  tenham a certeza  de que não são meus e foram "plantados" para que, em caso de busca, sejam encontrados.
Companheiros de luta em defesa da liberdade e da democracia  fiquem alertas! O caso do cel Molinas está bastante nebuloso e desde o primeiro dia, imaginei que terminaria assim.
Repito, fiquem alerta, companheiros! A bruxa está solta !
Esta história tem que ser muito bem explicada...
 
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