Paulo Brossard - Zero Hora - 10/12/2012
Uma explicação destas não fica bem seja ao governo, seja a seu ministro
Meu propósito era escrever sobre problemas internos e externos que ensombram os horizontes próximos do governo da senhora presidente, mas outro tema, também a ela pertinente, me parece de maior atualidade. Os fatos são de ontem e estão vivos na lembrança de todos. O mensalão aproximava-se de seu termo; seus efeitos eram devastadores, quando outro caso, temperado com nitroglicerina, entrou em ebulição, tendo como sede nada mais nada menos que o escritório paulista da chefe do governo, e desde a administração anterior gerenciado pela mesma pessoa. A excepcional gravidade dos fatos apurados pela Polícia Federal e as pessoas envolvidas causaram imensa repercussão.

Texto completo Basta dizer que a senhora presidente não hesitou em demitir, afastar, investigar a partir da chefe do gabinete instalado na Avenida Paulista, sem falar na prisão de 18 pessoas, salvo engano. Esses fatos, era inevitável, ganharam as ruas e as manchetes nos meios de comunicação. O choque foi de tal monta que todo o mundo passou a reclamar explicações oficiais, e o governo não tardou em escolher o ilustre ministro da Justiça para, em Comissão da Câmara dos Deputados, dar a versão oficial dos acontecimentos. E aqui chegamos ao ponto nodal do caso.
Os jornais informaram que a exposição foi extensa, de muitas horas, mas houve quem atalhasse dizendo que o ministro pecou pela prolixidade. Não tenho como opinar a respeito.
Enfim, o ilustre ministro da Justiça compareceu a uma comissão da Câmara dos Deputados e durante horas falou sobre o escândalo que levara a senhora presidente a afastar ou demitir a então chefe do Gabinete da Presidência em São Paulo e outros, inclusive escolhidos e patrocinados por essa última. E, embora o porta-voz do governo afirme que "a quadrilha não se instalou na Presidência", não esclarece onde ela teria se instalado. A certa altura, surpreende dizendo "não é o resultado da investigação. O que tenho são servidores de um patamar secundário, enquadrados em conduta criminosa". O que era assunto de alta relevância passa a incógnitos "servidores de um patamar secundário". Uma explicação destas não fica bem seja ao governo, seja a seu ministro, notadamente quando prestada à Nação.
Mais estranho ainda é o tecido em relação à ex-chefe de gabinete Rosemary Noronha, ou Rose. Dela se diz é que "o que se sabe, segundo Cardozo, é que Rose 'tinha contatos ilegais, relações indevidas ... mas não participava do núcleo central da quadrilha ... O que ela fazia era, usando sua condição de chefe do escritório, facilitar contatos de membros da quadrilha em troca de favores". Céus! Aqui Del Rey! Por isto, fica-se a saber, ela foi indiciada por corrupção, falsidade ideológica e tráfico de influência! Mas não havia por que quebrar seu sigilo ... porque, "disse o ministro, a Polícia Federal evita grampear pessoas não diretamente relacionadas ao fato investigado"!!!
Por fim, não se sabe porque, emerge esta confidência: "Lula é íntimo de Rosemary". Mas em que vem ao caso essa suposta intimidade? O ministro não disse.
Muita coisa teria a aditar à exposição ministerial, mas, o leitor há de convir, não disponho como ele de longas horas para expor, nem de páginas de jornal para resumi-las.

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