Marcelle Ribeiro
O Globo - 08/12/2012 
Ex-secretária de Lula e Vieira se ajudavam no loteamento
SÃO PAULO -Pedidos para empregar parentes e amigos eram frequentes na relação entre o ex-diretor da Agência Nacional de Águas Paulo Vieira e a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, como mostra o inquérito da Operação Porto Seguro, da PF.
Os e-mails rastreados pela PF mostram que Rosemary pediu empregos para amigos ou parentes.
Em 10 de novembro de 2009, ela escreveu e-mail para Vieira cobrando uma vaga para um primo dela, o arquiteto Marcelo de Lara Peixoto, na extinta Rede Ferroviária Federal. Vieira recorreu a José Francisco da Cruz, para quem mandou o currículo de Peixoto em 11 de novembro de 2009. "Segue em anexo o currículo do nosso indicado para ajudar nos trabalhos de inventário dos bens móveis e imóveis da ex-RFFSA no âmbito do Estado de São Paulo. Peço-lhe encaminhar com urgência ao gabinete do senhor ministro de Estado dos Transportes para fins de nomeação", escreveu Vieira a Cruz.
Em 16 de dezembro de 2009, Rosemary cobrou urgência na colocação do primo: "POR FAVOR faça algo para o MARCELO meu primo ser nomeado antes do Natal. Isso é muito importante". Peixoto foi mesmo nomeado às vésperas do Natal, em 23 de dezembro de 2009, em cargo comissionado na RFFSA e, segundo o Ministério dos Transportes, ainda trabalha no escritório de São Paulo.
José Francisco Cruz tinha sido contratado na RFFSA depois de um pedido de Vieira para Rosemary. A nomeação de Cruz foi publicada no Diário Oficial em 30 de setembro de 2009. Em 27 de novembro de 2012, Cruz foi exonerado. Ele não é indiciado no inquérito da Porto Seguro.
Em nota, o Ministério dos Transportes disse acreditar que a inventariança da RFFSA não foi prejudicada por quaisquer atos de Cruz ou Peixoto. Segundo o ministério, as decisões de Cruz no cargo eram constantemente acompanhadas por órgãos de controle interno e externo do governo.
Rosemary também solicitou a Vieira emprego para o cunhado Luís Ismael de Noronha, que, segundo a PF, foi contratado pela empresa Tecondi, cujo vice-presidente era outro indiciado no inquérito, o empresário Carlos César Floriano. A Tecondi atua com contêineres no porto de Santos, e foi beneficiada por Vieira com pareceres fraudados pela AGU. A PF afirma que Noronha tem vínculos com a Tecondi desde janeiro de 2010.
O advogado de Paulo Vieira, Pierpaolo Bottini, disse que enquanto não tiver acesso a toda a investigação da PF, não vai comentar o assunto. O advogado de Rosemary não foi encontrado e não retornou os recados do GLOBO.

 

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