Promotor quer saber por que dinheiro do mensalão pagou a advogados do PT que atuaram no caso Celso Daniel   
Hugo Marques  
 Revista Veja - 12/11/2012   
Há dez anos o Ministério Público tenta desvendar alguns mistérios que ainda pairam sobre o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Ele foi sequestrado, torturado e executado a tiros em janeiro de 2002. O promotor Roberto Wider Filho, que acompanha o inquérito desde o início, não tem dúvida de que o crime foi encomendado por integrantes de uma quadrilha que desviava dinheiro da prefeitura para financiar campanhas eleitorais do PT.
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Uma reportagem de VEJA publicada na semana passada revelou que o publicitário Marcos Valério, o operador do mensalão, afirma ter informações preciosas sobre o caso. Ele conta que participou de uma reunião, em 2003, para negociar o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, que chantageava o então presidente Lula e seu chefe de gabinete, o hoje ministro Gilberto Carvalho. Ronan Pinto queria dinheiro para não comprometer os dois petistas no caso. O empresário, acusado de integrar o grupo que fraudava os cofres da prefeitura, estaria cobrando para silenciar sobre algo que ele efetivamente sabia? Valério afirma que não quis se envolver – mas garante que o suborno foi pago.

Não foi a única vez que personagens do mensalão e do caso do prefeito de Santo André se cruzaram. Durante as investigações do crime, descobriu-se que Ronan Maria Pinto conseguiu um empréstimo no Banco Rural – o banco do mensalão – em condições bem companheiras. O empresário teve acesso a um crédito de 1,4 milhão de reais e ofereceu como garantia de pagamento um terreno que valia apenas 80000. O negócio obedecia à mesma metodologia utilizada pelo Banco Rural para transferir dinheiro aos mensaleiros. Em 2003, o PT pagou 500000 reais ao escritório do ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira para acompanhar o caso do ex-prefeito. Os advogados receberam os honorários em envelopes e sacolas. Onde? Na agência do Banco Rural em Brasília. Quem viabilizou o pagamento? Marcos Valério. A pedido de quem? De Delúbio Soares e José Genoino, ambos já condenados como integrantes da quadrilha do mensalão. Por quê? É o que a equipe do promotor Wider ainda pretende desvendar.

 
 

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