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Categoria: Forças Armadas
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 -  Curso de Engenharia da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
- Pesquisa sobre a palestra do Exmo Sr Ministro do Exército
-  Luiz Osório Marinho Silva – Cap Eng 
 A palestra do Exmo Sr Ministro do Exército não atendeu às expectativas dos Capitães-Alunos da EsAO, conforme pude constatar através de comentários entre os próprios oficiais. Tudo o que foi dito, pelo Sr Ministro, já era do amplo conhecimento da maioria dos oficiais, quer através dos órgãos de divulgação do próprio Exército, quer através da imprensa escrita e demais órgãos civis de comunicação.
Particularmente, esperava uma exposição que nos desse perspectivas reais da presente situação do Exército e de sua atuação – dentro do seu papel constitucional de responsável pela garantia do poder constituído, da lei e da ordem – no atual momento político em que vive o Brasil. Como Capitão do Exército, que teve a sua formação militar iniciada em 1965, na EsPCEx, e complementada dentro do período imediatamente após a Revolução de Trinta e Um de Março de 1964, preocupa-me sobremaneira a presente situação, onde as Forças Armadas, particularmente o Exército, são diariamente injuriadas e os seus componentes caluniados e responsabilizados pela crise econômica vigente.
 O Exército sempre procurou, através do trabalho anônimo dos seus quadros, desempenhar apenas a sua missão constitucional, além de inúmeros e relevantes serviços prestados ao País. Seus quadros foram sacrificados em defesa dos mais altos interesses da Nação, sem que nenhuma recompensa recebessem, a não ser a satisfação pessoal do dever cumprido. Não compreendo – embora como soldado procure exercer, da melhor maneira de que seja capaz, apenas o meu dever profissional, com a mesma vibração do início da carreira nos bancos escolares – que possa a Nação assistir, passivamente, em nome da abertura democrática, a escalada do comunismo internacional, através de vários órgãos de imprensa e de maciça infiltração, facilmente constatável, em sindicatos de trabalhadores, meios artísticos, igrejas, assembléias legislativas, Congresso Nacional etc. Não entendo que uma música como a do compositor Geraldo Vandré, ofensiva ao Exército e à dignidade daqueles que labutam no dia-a-dia da caserna, após ter sido proibida no final da década de 1960, possa agora ser transformada em “sucesso”, amplamente divulgada pelas emissoras de rádio. O Exército sempre foi o principal bastião, pela preservação do nosso regime democrático e cristão. Não podemos permitir, como tantas outras vezes, a escalada crescente do comunismo, fato atualmente já caracterizado e dito pelo Sr Ministro, em sua palestra. Jornais, como o semanário “Hora do Povo”, publicam ostensivamente intensa propaganda marxista, com nítidas raízes externas e constituindo perigoso estímulo à grande parte da população brasileira, gente boa e ordeira, mas pelo precário nível cultural e carente situação econômica, facilmente influenciável.
 Acredito que seja dever do Exército, procurar erradicar por completo a influência do comunismo internacional em nosso país, pois sabemos que os inimigos da Pátria não desistem. Após esta fase atual de difamações, calúnias, incitamento às greves etc, virá certamente a aplicação de atos de terrorismo e tentativas de subversão da ordem. Será a repetição do círculo vicioso e é isso que nos preocupa.
 Ouvimos do Sr Ministro que providências estão sendo tomadas, através do Poder Judiciário, para que todos os responsáveis pelas graves ofensas ao Exército sejam devidamente processados. Não tivemos ainda nenhuma solução concreta desses casos. Os processos são lentos e cada vez mais o Exército fica exposto às tentativas vis de maculá-lo. Tivemos mesmo o caso do jornalista que publicou, em órgão da imprensa paulista, matéria ofensiva à memória do Patrono do Exército e que após o término do processo executado pelo Superior Tribunal Militar, foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Como soldado , não me preocupa o desenvolvimento do processo político, nem a discussão das razões de aplicação das medidas governamentais, preocupa-me a escalada do comunismo dentro do nosso País e o crescente objetivo de minar as Forças Armadas, alicerces da nossa nacionalidade e ainda o real fator da nossa segurança, como Nação livre e independente.
 Havia também grande expectativa por parte dos oficiais, quanto às medidas para o reajustamento e melhoria do soldo. As previsões feitas, pelo Sr Ministro, não trouxeram nenhum alento, já que as modificações a serem introduzidas, na lei de remuneração, já eram do conhecimento dos oficiais e vêm sendo processadas há algum tempo. Nesse particular, vivemos também, de certa forma, apreensivos e preocupados com o desvirtuamento que isto possa ocasionar no plano de carreira dos oficiais e também sargentos, com o desestímulo e a busca de trabalhos paralelos, visando remuneração suplementar, fato que já ocorre com certa freqüência, com reflexos negativos na operacionalidade e espírito militar dos quadros.