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Categoria: Forças Armadas
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Ex-comandante do DOI-RJ é morto no RS
Molinas chefiava o órgão em 1981, ano da explosão de bomba no Riocentro
Chico Otavio - O Globo - 06/11/2012 
 1 RIO - A descoberta de um carro vermelho é, até agora, a pista mais promissora da Polícia Civil gaúcha para chegar aos assassinos do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, morto na quinta-feira, aos 78 anos, quando chegava em casa. O delegado Luís Fernando Oliveira, responsável pelas investigações, disse ontem que trabalha com duas hipóteses: tentativa de roubo seguida de morte e execução.
Em abril de 1981, Molinas comandava o Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI-I), na Rua Barão de Mesquita, Tijuca, quando a explosão de uma bomba matou o sargento Guilherme Rosário e feriu gravemente o capitão Wilson Machado no estacionamento do Riocentro. Ambos eram lotados no DOI.
Em 1999, ao rever a posição sobre o episódio, o Exército concluiu que o sargento e capitão eram os autores do atentado, cujo alvo seria um show no local em homenagem ao Dia do Trabalho.
O militar foi morto com tiros de calibres diferentes, a bordo de um Citroën C4, na rua Professor Ulisses Cabral, no bairro Chácara das Pedras, Porto Alegre. O corpo da vítima ficou ao lado do veículo. Embora não tenha achado a arma de Molinas, o delegado disse que os peritos recolheram evidências de que a vítima reagiu e disparou contra os agressores.
Testemunhas relataram ter visto um carro vermelho saindo do local. As características descritas, segundo Luís Fernando, são semelhantes as do veículo encontrado pela polícia. Embora a hipótese de latrocínio seja forte, os policiais ficaram impressionados com a quantidade elevada de tiros disparados contra o militar .
Oficial da arma de Engenharia, com especialização em Comunicações, Molinas era ligado ao então general José Luiz Coelho Neto, uma das vozes mais radicais do regime, quando assumiu como major o comando do DOI. A unidade era, na época, alvo de denúncias de torturas e assassinatos, incluindo o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva. Ao depor sobre o atentado, reconheceu que mandara duas equipes ao Riocentro para monitorar o show (evento promovido por organizações progressistas), mas negou que a motivação era terrorista.