Esse caso precisa ser apurado!
O Globo - 03/11/2012
Segundo revista, operador do mensalão relata tentativa de envolver Lula na morte do prefeito de Santo André 
SÃO PAULO E BRASÍLIA A revista "Veja" desta semana afirma que o operador do mensalão, Marcos Valério, acusou a cúpula do PT de pedir que ele desse dinheiro para calar o empresário Ronan Maria Pinto, que ameaçava envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na morte, em 2002, do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT).
De acordo com a publicação, Valério, já condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 40 anos de prisão, relatou que nos primeiros meses de 2003, no começo do governo Lula, foi convocado pelo então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, para uma conversa com Ronan, que é alvo de ações do Ministério Público por participação em suposto esquema de corrupção na prefeitura de Santo André.
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O empresário, dono de empresas de ônibus e coleta de lixo, ameaçaria envolver Lula e o então chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no caso. Segundo a revista, ao receber a missão de levantar dinheiro para apaziguar Ronan, Valério teria reagido dizendo: "Eles achavam que (o pagamento) ia ser através de mim e eu falei assim: Nisso aí eu não meto, não""
A revista não traz provas de que o encontro entre o operador do mensalão e o empresário realmente existiu. Procurado, Ronan informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a história é "absurda" e que jamais se encontrou pessoalmente com Valério. O advogado de Silvio Pereira, Gustavo Badaro, disse que seu cliente nega o episódio.
Ele (Silvio Pereira) disse que isso nunca existiu. É uma fantasia - afirmou o advogado.
A assessoria do Instituto Lula informou que não comentaria acusações não confirmadas.
Há sete semanas, "Veja" também havia publicado uma reportagem contando que Valério relatou a amigos e parentes que Lula seria o chefe do mensalão e tinha conhecimento da existência do esquema. Na semanada passada, o diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara, afirmou ao portal "Comunique-se" que a publicação possui uma gravação com a acusação feita pela operador do mensalão, mas que considerava desnecessário divulgá-la.
O prefeito Celso Daniel foi encontrado morto em janeiro de 2002, dois dias depois de ser sequestrado. De acordo com a investigação do Ministério Público, o crime teria sido planejado pelo empresário Sergio Gomes da Silva, o Sombra, que estaria contrariado porque Daniel pretendia por fim ao suposto esquema de corrupção.
A declaração de Valério à "Veja" provocou reações no PT e na oposição. Os líderes do DEM e do PSDB no Senado, mesmo considerando as acusações graves, foram cautelosos e disseram que vão aguardar a atuação da Procuradoria-Geral da República na investigação.
São assuntos gravíssimos, que carecem de confirmação. O mais importante é o depoimento dado por ele ao Roberto Gurgel - defendeu o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).
Já o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse que Valério não tem "a menor credibilidade".
Marcos Valério é uma pessoa condenada, está na fase de desespero, porque vai para a cadeia. O PT pagou um alto preço por ter se relacionado com esse senhor. Marcos Valério não merece e não tem o mínimo de credibilidade. Ele teve a oportunidade de falar no processo, mas não falou - disse Tatto.
Já o ministro Gilberto Carvalho não quis se manifestar, limitando a enviar, por meio da assessoria, a nota que já havia enviado à revista, na qual nega as acusações: "O ministro Gilberto Carvalho nunca teve conhecimento de qualquer ameaça ou chantagem feita pelo sr. Ronan Maria Pinto, diretamente ou por terceiros. O ministro nunca teve qualquer contato com o sr. Marcos Valério, nem pessoalmente, nem por email, telefone ou qualquer outro meio. O ministro desconhece absolutamente a suposta denúncia apresentada pela revista Veja", diz a nota.
No Palácio do Planalto, a ordem era evitar comentários oficiais, pois isso só acabaria dando força a algo que não consideram verdadeiro.
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Ministros do STF defendem proteção para Marcos Valério
DE BRASÍLIA
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pela Folha defendem que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, operador do mensalão e condenado pelo tribunal a mais de 40 anos de prisão, receba algum tipo de proteção do Estado.
Para eles, se Valério afirma temer pela sua vida, isso não pode ser subestimado. O empresário se diz disposto a revelar ao Ministério Público detalhes inéditos sobre o esquema que ajudou a organizar durante o governo Lula.
Novos depoimentos não terão interferência no julgamento do mensalão, que está na fase final. Mas podem resultar em novas investigações ou contribuir para outros inquéritos em curso.

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