Por Rubem Azevedo Lima - Correio Braziliense - 29/10/2012
O Supremo Tribunal Federal entendeu, majoritariamente, que o objetivo do PT era usar o mensalão, sujando nossa democracia, a fim de abrir caminhos eleitorais ao partido. Em troca dessa operação criminosa, porém, com a notória aprovação de Lula, o PT abdicou de sua maior riqueza: o exemplo de procedimento político mais ético entre todas as nossas agremiações partidárias.
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Antes dele, nessa questão, era a UDN que liderava em tal procedimento, até que fez outra escolha: deixou de defender a democracia, para apoiar o regime de 1964. Falou-se, então, que os velhos udenistas, sem macacão e sem mácula, haviam formado o PT.
Tal sigla é cópia traduzida do nome, em alemão, de Partido dos Trabalhadores, cujo líder (Karl Lueger) se elegeu prefeito de Viena, por mais de 14 anos. Como diria Duda Mendonça, publicitário de Lula, a marca PT "pegou", na segunda ou terceira eleição disputada pelo dirigente petista.
Hoje, talvez só os aposentados se lembrem da campanha em que Lula se elegeu. Ele jurou não prejudicá-los, mas, ao empossar-se na Presidência, taxou a economia dos aposentados. Brizola, presidente do PDT, exibiu em seu programa partidário, na tevê, a imagem de Lula jurando não mexer nas aposentadorias. O ex-presidente FHC quis fazer o mesmo, porém fora derrotado, no Congresso, graças aos votos do PT.
A conclusão da maioria do STF sobre o mensalão foi terrível para o PT. Mas, em plena eleição municipal, seus cabos eleitorais foram a presidente da República e o ex-presidente Lula. Fizeram comícios, com cobertura de todos os meios de comunicação, ao contrário das candidaturas de oposição. Seria isso lícito, em pleito com urnas de última geração e retratos de todos os candidatos? Seria bom que o Superior Tribunal Eleitoral respondesse a tal pergunta, para termos eleições limpas, em pleito republicano e democrático, igual para todos os litigantes, Brasil afora. Alguém já disse que o poder, não limitado por leis, nunca está protegido e costuma cair.
 

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