Por Cesar Augusto Lacerda
O Cel Homero é meu companheiro de turma, meu companheiro de arma e foi meu companheiro de apartamento na AMAN. Ótimo cadete, intelectual por excelência, sobressaía pela inteligência viva e excelente nível cultural, e, fisicamente, por ser inimigo radical da equitação e das aulas de natação. Como um bom pensador era um “voador” juramentado, daqueles que trocavam peças de uniforme e não sabiam onde tinham guardado a pistola 45.
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Servimos juntos no então 1º GO 155, em 1972, ele S2, eu comandante da 1ª bateria. O grupo era pouco empenhado em ações envolvendo o movimento de 64, mas todas as vezes que vi sua atuação tenho certeza que nada transcorria fora da lei. Lembro, certa vez, de uma ameaça de greve de funcionários de uma prefeitura de cidade da baixada fluminense, que fazia parte da área de segurança do quartel, em virtude de falta de pagamento derivada das tramoias do prefeito. O Cap Homero, sem levantar de sua cadeira, com um só telefonema, de forma gentil, sem elevar a voz ou usar palavras agressivas, contestou firmemente o alcaide. Em poucas horas os funcionários receberam seus pagamentos.
Filho de uma imigrante húngara, forte sotaque paulistano, solteirão convicto, advogado de larga visão, amante da música clássica e da filosofia, em nada se parece com o perfil que se imagina para um torturador. Até onde sei, na OBAN era analista de informações, não tinha que correr atrás de bandidos nas ruas, nem lhe cabia fazer interrogatórios de terroristas. Aliás os americanos colocam o analista de informações no mesmo pedestal de cientistas: são montadores de quebra cabeças. Neste aspecto o então Cap Homero foi muito bem escolhido. Em um artigo ou um livro do jornalista Fernando Gabeira, na época preso político, foi elogiado justamente pela facilidade em conversar com gente de todo tipo, dos radicais de direita aos radicais de esquerda.
Meu amigo Homero agora virou torturador e até assassino e isto por obra e graça de uma acusação de D. Dilma Roussef, Estela para os íntimos, que assumiu o governo falando em paz, harmonia e negando o revanchismo. E isto vai para as ruas através de um movimento chamado “escracho”. Para quem ouve a rede Bandeirantes de rádio pela manhã, um dos grandes e entusiasmados defensores deste movimento é o jornalista Ricardo Boechat, aquele mesmo que foi expulso de “O Globo” e do falecido “Jornal do Brasil” por vender espaços em suas colunas para publicar notícias, falsas ou verdadeiras, de interesse de quem lhe pagava. Em seu programa matinal recentemente brindou o ex Presidente Castelo Branco com os títulos de assassino e canalha. O movimento e seu defensor nasceram um para o outro.
Ficaria agradecido se, a este pequeno texto, fossem acrescentadas informações sobre o Cel Homero Cesar Machado de seus colegas da Escola Preparatória de São Paulo e dos que com ele conviveram em funções diversas no Exército.

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