Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa - 2-0/12/2012
Para o ministro Ricardo Lewandowski, quadrilha, mesmo, só a que se reunia na caverna do Ali Babá. Fora daí, nem Al Capone atentaria contra a paz pública e, portanto, também seria absolvido pelo revisor do processo do mensalão.
Convenhamos, é juridiquês demais. Porque se José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério e o restante da quadrilha não formavam uma quadrilha, que diabo estariam fazendo? Uma associação para cuidar da saúde dos gatos cegos? Quem sabe fundando uma ONG para proteger as barbas do camarão do Mar Vermelho?
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Já ficou claro no julgamento que eles se reuniam para comprar votos de deputados em favor do governo Lula, que desviaram fundos públicos, remeteram ilegalmente recursos para o exterior, simularam empréstimos fictícios junto a organizações bancárias, lavaram e distribuíram dinheiro, cometeram peculato e foram incursos em gestão fraudulenta. Se isso não exprime a atuação de uma quadrilha, porque são os mesmos, só resta blindar a caverna do Ali Babá.
Uma pergunta ganha a curiosidade geral: à medida em que o processo chega ao seu final, mais o ministro Lewandowski procura inocentar todos os réus. Chegou a mudar voto anterior onde condenou cinco mensaleiros, precisamente por formação de quadrilha, pretendendo agora absolver outros treze. Que motivos teriam levado o competente jurista a concluir assim?
AÇÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA
Enquanto o julgamento no Supremo Tribunal Federal ainda vai demorar até que os culpados venham a ser instalados na cadeia, quem corre por fora é a primeira instância da Justiça Federal em Minas Gerais. A juíza Camila Velano condenou a dez anos de prisão dois empresários que enviaram recursos fajutos para a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça, nas Bahamas. Se quem manda é criminoso, o que dizer de quem recebe?

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