General de Brigada
  Paulo Chagas
 O cumprimento de ordens não exclui esclarecimentos à opinião pública e ao público interno.
Gen Bda Paulo Chagas
Caros amigos
Redijo minhas mensagens como uma maneira de ordenar meu próprio pensamento e de organizar os argumentos que o justifiquem, de modo a que não fique, como costuma dizer um amigo, “firmemente cravado nas nuvens”!
Escrevo também, mesmo com a certeza de que não serei ouvido ou considerado, para desabafar a angústia de, como soldado, nada mais poder além de dizer o que penso, ou, ainda, para criticar, como cidadão e eleitor, os homens públicos que “se acham” e colocam-se acima da Nação e ofendem e agridem direitos, princípios, valores e verdades caros demais ao coração patriota do soldado para ficarem sem defesa.
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É uma forma eficiente de terapia para quem nunca se permitiu a prática da omissão.

Já fui criticado por focar meus “escritos” quase que unicamente em mensagens ao Exército ou em sua defesa, querendo induzir os “ainda detentores dos Bastões de Comando” a fazê-lo comportar-se do modo como eu gostaria e que não fui capaz de fazer.

Todavia, a vontade de fazê-lo, por razões que só o atavismo explica, não se esgota, porque do Exército não consigo esquecer ou afastar-me.

Leio constantemente em um quadro na parede do meu escritório uma promessa que fiz ao deixar o serviço ativo, após curtos, rápidos e insuficientes 38 anos e 8 meses: “Eu, enquanto em reserva, manterei a forma física e mental, meu cavalo trabalhado, a sela equipada e a espada ao lado e aguardarei, ansioso, pelo chamamento da Pátria”.

Confesso que todas as vezes que me lembro destes números, 38 anos e 8 meses, sinto vergonha de ter sido tão pouco útil ao Exército e por tão pouco tempo! Isto talvez explique minhas atitudes e o que sinto e que se não justifica, pelo menos explica a minha chatice!

No caso recente, do Cadete Lapoente, cuja excepcionalidade a muitos revoltou, inclusive a mim, considerei, após aprofundar meu conhecimento, muito bem feitos a simplicidade e a discrição da cerimônia, bem como a escolha da data, que nada tem a ver, como pensam alguns, com a morte do assassino Che Guevara.

Continuo, no entanto, apreensivo com relação às possíveis brechas que o cumprimento de ordens, sem os devidos esclarecimentos à opinião pública e ao público interno, pode proporcionar aos que precisam ver o Exército desmoralizado.

Leio comentários, de inconformados com o prestígio crescente do Exército no seio da Nação, que podem levar os desavisados a crer que finalmente, devido à ação da família Lapoente e da Ministra do Rosário, aprendemos a respeitar direitos humanos, a garantir e exigir segurança na instrução, a punir responsáveis por acidentes ou omissões, ou ainda a darmos importância à vida de nossos camaradas!

O Exército nunca deixou passar ou passou a mão por cima de qualquer ato ou omissão atentatórios à segurança na ação ou na instrução. No caso em questão, após os devidos inquérito militar e processo judicial, o oficial responsável foi julgado e punido pelo Superior Tribunal Militar.

A interpretação que os interessados no mal querem fazer valer é a de que o Exército admite que não deu a devida importância ao caso de Márcio Lapoente da Silveira ou ao dos demais cadetes que morreram em acidentes de instrução na AMAN, quando nós todos sabemos que o EB nunca admitiu exageros e ilegalidades ou se omitiu diante delas!

Isto tem que ser dito e deixado claro para TODA A NAÇÃO, assim como o fato de que NUNCA deixou de aperfeiçoar a segurança na instrução ou de valorizar a vida de qualquer de seus integrantes! Isto tem que ser dito antes que os inimigos comecem a alardear que finalmente e graças a eles o EB aprendeu a respeitar os Direitos Humanos!

Deixo, desta forma, aos meus amigos, “ainda detentores dos Bastões de Comando”, mais uma das minhas “chatices” que, como sempre, visa a sugerir-lhes um comportamento que no meu entendimento é importante para a preservar a verdade e a imagem do “Grande Mudo” junto à sociedade à qual tão bem tem servido!

 

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