Caríssimos irmão de armas:
Por Gobbo
Após meses de trabalho árduo, compulsei todos os documentos que constituem os autos do processo penal do "Caso Lapoente". Ouvi Cadetes da época, uns presentes aos acontecimentos, outros apenas ouvindo as versões dentro da AMAN.   Ao fim, consegui decifrar todo seu sórdido esquema. Começamos, eu e meu irmão quase univitelino Cel. Moézia, impetrando o Mandado de Segurança, que infelizmente não prosperou.
Texto completo
O documento anexo é uma segunda etapa e constitui uma síntese absolutamente fiel e rigorosa dos incidentes que originaram todos esses desdobramentos. O próximo passo será analisar o indecente acordo de solução amistosa, o que será feito em outra comunicação.

Não sou incendiário irresponsável e nem quero semear ventos. Minha profissão de  fé é o  amor à verdade, que aprendi nos exemplos em meu lar e  na formação que o Exército de Caxias me ofereceu e que assimilei plenamente.  Só Deus sabe o quanto preferiria não ter que cumprir essa missão e não beber desse cálice.  Por longo tempo defendi a atuação dos mais antigos na ativa julgando-a  forçada pelas circunstâncias, mas com a esperança  de que  soubessem perceber até onde poderiam ceder. Criei até a imagem do "sapo catastrófico", aquele que não dá para engolir. Em particular, o comandante da Força, meu colega de turma e então amigo,  mereceu de mim vários trabalhos defendendo-o e depositando nele minha confiança. Um deles, a que chamei  A meu querido  primeiro chefe me rendeu  reproches, alguns gentis, outros nem tanto. Mas perseverei em sua defesa  até tomar conhecimento da historia da placa na Academia.
A partir daí mudei  de posição e percebi com profunda amargura que o comandante não é mais o cadete que conheci há mais de 50 anos atrás.    Deixei de lado antigas posições e às claras, sem rebuços,  enérgico mas  sem rancor, parti para a defesa do meu Exército. Aos amigos tudo, menos a honra.
 Minha dívida com o Exército é infinita.  Além da formação que me ofereceu,  mostrou-se uma colmeia de companheiros, voejando uns em torno dos outros  compartilhando o mel da amizade sincera, no qual me lambuzei.  A ingratidão não faz parte dos muitos defeitos que ainda luto por corrigir nesta encarnação . Não, não  afrontem o Exército! Seja quem for que tentar vilipendiá-lo e, por extensão, à Pátria brasileira,  encontrará em mim um opositor ferrenho e pertinaz que arrostará todos os perigos em sua defesa. Qualquer que seja a solução das ações que impetrar, isso  não mudará em nada minha disposição para a luta, dentro da lei e do direito.
Me sentirei  completamente recompensado se vocês dedicarem um pouco de tempo para tomar conhecimento desses fatos, que são muito graves. Difundam para seus correspondentes, se acharem conveniente, de preferência mantendo-os no círculo dos oficiais, não por discriminação, mas porque fico envergonhado que nossos subordinados tomem conhecimento deles.

Um abraço fraterno

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