Pagot assumiu publicamente de que ele pediu dinheiro
para dar para a Presidente Dilma, e que as empresas
que ele acionou mandaram os boletos para ele
Fonte: http://blogdoonyx.wordpress.com/
 
Dnit negociava obras e doações 
Gabriel Mascarenhas - Correio Braziliense - 29/08/2012
Ao depor na comissão que investiga Cachoeira, o ex-diretor do Dnit disse que procurou construtoras e arrecadou dinheiro para a campanha de Dilma, a pedido de tesoureiro petista. “Não é ético”, admitiu. O PT nega.
Pagot revela que pediu dinheiro a empreiteiras para campanha de Dilma, mas negou ajuda a Ideli e Demóstenes
Em oito horas de depoimento à CPI do Cachoeira, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot afirmou que o órgão foi usado como atalho para arrecadar recursos à campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, em 2010.
Ele admitiu ter atendido ao pedido do deputado federal e ex-tesoureiro da chapa petista, José Di Filippi (PT-SP), para procurar empreiteiras que mantinham contratos com o Dnit em busca de apoio financeiro.
Embora sustente que não cometeu qualquer ilegalidade, por não ter vinculado as doações a atos administrativos do Dnit, ele se declarou arrependido."Apresentei a ele (Di Filippi) a lista das empresas com quem tínhamos contratos. Ele mandou eu não me preocupar com as maiores e escolher umas 30 ou 40 para pedir apoio. Fiz isso, sim. Algumas enviaram boletos comprovando que doaram para a campanha. Outras eu constatei depois que também contribuíram", contou Pagot, antes de admitir que cometeu um erro: "Depois desse ato, fiquei aborrecido comigo mesmo. Percebi o tamanho da bobagem que fiz. Não é ético"
De acordo com o ex-dirigente do Dnit, outros figurões da base aliada do governo o procuraram para pedir que intermediasse contatos com empresários. Pagot acusou a então senadora por Santa Catarina e atual ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), de ter aproveitado uma audiência no órgão, que deveria tratar apenas do andamento de três obras no estado dela, para propor que Pagot elencasse algumas empresas que poderiam contribuir com a campanha para o governo do estado. "Eu disse a Ideli que não iria fazer o que estava pedindo. Tenho certeza de que ela ficou bem contrariada", revelou.
Ainda durante o depoimento, a secretaria de Relações Institucionais emitiu uma nota oficial negando a acusação. Confrontado com a informação, Pagot se disse disposto a participar de uma acareação com Ideli Salvatti. Ele afirmou ainda ter sido ameaçado pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB-MG), ao negar-lhe ajuda semelhante. "Fiquei ameaçado e constrangido. Ele me deu o dedo e disse que, assim que fosse eleito, a primeira coisa que faria seria me tirar do Dnit".
Pagot comandou o departamento entre 2007 e o meio do ano passado, quando foi "defenestrado", como ele mesmo definiu, por suspeitas de ter participado de um suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do PR, partido ao qual era filiado na ocasião. Ele informou que participou de reuniões com o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish, que, segundo a Polícia Federal, é sócio oculto do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e com o ex-superintendente da empreiteira no Centro-Oeste, Claudio Abreu. Abreu e Cachoeira foram presos pela PF em fevereiro.
O depoente negou ter beneficiado a Delta nos contratos com o Denit, mas assegurou que o ex-senador Demóstenes Torres foi outro a tentar usar o órgão para "pagar uma dívida" que tinha com a empresa. "O senador me chamou para um jantar na casa dele, onde estavam dirigentes da Delta, como Cavendish e Claudio Abreu. Ele me puxou para uma sala reservada e disse que precisava de uma obra (que a Delta fosse contratada) com o carimbo dele, pois a empresa havia ajudado muito na campanha", narrou Pagot. Ele garantiu à CPI que não atendeu ao pedido de Demóstenes.
"Papo de bêbado"
O ex-diretor do Dnit deu outra versão para uma declaração publicada por uma revista a respeito de um termo aditivo de um contrato, que teria como objetivo arrecadar recursos de caixa dois para as campanhas de Geraldo Alkmin (ao governo de São Paulo) e de José Serra (à Presidência). "Nessa entrevista, eu disse que tinha ouvido isso de um amigo, mas que era papo de bêbado, algo que não poderia provar".
Líder do PT na Câmara, o deputado Jilmar Tatto negou que seu correligionário Di Filippi procurou Pagot para pedir que ajudasse a arrecadar dinheiro para a campanha de Dilma. O ex-ministro Hélio Costa não foi encontrado.
"Algumas empresas enviaram boletos comprovando que doaram para a campanha. Outras eu constatei depois que também contribuíram. Depois desse ato, fiquei aborrecido comigo mesmo. Percebi o tamanho da bobagem que fiz, não é ético"
Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit

 
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Ex-diretor do Dnit obteve doação para eleição de Dilma
Ex-diretor do Dnit afirma que obteve doações para Dilma
Eugênia Lopes - O Estado de S. Paulo - 29/08/2012 
Luiz Pagot disse na CPI que arrecadou, com empresas que tinham contrato com órgão, até R$ 6,5 mi para a campanha presidencial do PT
Em depoimento de cerca de oito horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot revelou que arrecadou entre R$ 5,5 milhões e R$ 6,5 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff. Os recursos foram doações de cerca de 30 a 40 empresas que, na época, tinham contrato com o Dnit.
À CPI, Pagot contou que procurou as empresas para doar para a campanha de Dilma a pedido do hoje deputado José de Filippi Júnior, então tesoureiro da campanha presidencial petista. Ele disse que se reuniu com o tesoureiro por duas vezes: antes do primeiro turno das eleições presidenciais, quando mostrou uma lista com os nomes das 369 empresas que tinham contrato com o Dnit, e depois do segundo turno, quando Dilma Rousseff já havia sido eleita. No primeiro encontro, Filippi solicitou para que ele procurasse as empresas de menor porte para pedir doação para a campanha de Dilma.
"Reconheço que não foi ético da minha parte. Percebi o tamanho da bobagem que estive fazendo", lamentou Pagot.
O depoimento de Pagot, no entanto, frustrou os integrantes da CPI que esperavam revelações bombásticas do ex-diretor do Dnit. Pagot deixou a autarquia durante a "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff, em julho de 2011.
Ideli. Além do comitê de campanha de Dilma, Pagot afirmou ainda que a então senadora Ideli Salvatti (PT-SC), hoje ministra das Relações Institucionais, e o ex-senador Hélio Costa (PMDB-MG) também pediram que ele intermediasse doações para suas campanhas em 2010 - os dois concorreram ao governo de seus respectivos Estados: Santa Catarina e Minas.
Em nota, Ideli disse que "jamais recorreu" ao então diretor do Dnit para "solicitar recursos para campanhas ou mesmo indicações de empresas para esse fim". "Reafirmo tudo o que disse. Não estou faltando com a verdade", rebateu Pagot, que se colocou à disposição para fazer uma acareação com a ministra.
"Conversa de bêbado". Pagot alegou que foi mal interpretado em entrevista à revista IstoÉ e qualificou como "conversa de bêbado, de botequim", a notícia de que um aditivo à obra do Rodoanel, em São Paulo, seria usado para desviar recursos para campanhas tucanas de José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD).
O contrato no valor de R$ 3,6 bilhões para o Rodoanel foi feito em parceria entre o Dnit e o Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa), comandada na época por Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Segundo Pagot, o ex-diretor da Dersa pressionou por um aditamento de R$ 260 milhões, que foi negado pelo Dnit. "Um conhecido meu me alertou para ter cuidado com esse aditivo porque, na realidade, ele era para contribuir para as campanhas do Serra, do Alckmin e do Kassab. Mas isso é uma conversa de bêbado, de botequim, uma conversa que não se pode provar." Segundo Pagot, havia na época um "nervosismo por parte das empreiteiras" para que o aditivo fosse assinado.

 

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