Advogado de Jefferson diz que ainda vai tentar incluir Lula no mensalão
Luiz Francisco Barbosa enxerga brecha para retomar discussão no STF.
Na véspera do julgamento, delator mandou mensagem sobre tratamento.
Cíntia Acayaba e Fabiano Costa - Do G1, em Brasília 
Após a primeira sessão do julgamento do mensalão nesta quinta-feira (2), o advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, disse ver uma brecha para retomar questões já rejeitadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como a inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu.
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O assunto poderia ser levantado por uma nova questão de ordem, a exemplo do que ocorreu no início do julgamento, com um questionamento sobre a competência do STF para julgar réus sem foro privilegiado. A questão, proposta pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, foi aceita pelo ministro Ricardo Lewandowski, mas rejeitada por 9 votos a 2 após três horas e meia de discussão.
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STF decide julgar os 38 réus do mensalão, e cronograma atrasa Presidente da OAB pede ao STF 'objetividade' na análise do mensalão Questionamento de Bastos adia fala de Gurgel, diz assessoria da PGR Barbosa considerou que o ato de Lewandowski abre "precedente para que várias outras coisas que já foram apreciadas voltem". O advogado tentou incluir Lula como réu ao menos duas vezes. "Daí, vem a metáfora: como que manda processar os empregados e deixa os patrões de fora?", questionou Barbosa.  Ele pretende questionar no plenário a ausência do ex-presidente.
Para o advogado de Jefferson, a Procuradoria-Geral da República diz que o governo foi beneficiado com o esquema e que Lula representava o governo. De acordo com Barbosa, não houve contradição entre sua posição e a de Jefferson que, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", disse que Lula não teve participação do esquema. "Não tem nenhuma contradição. Lula representava o governo", disse.

Série de mensagens trocadas entre Jefferson e o
advogado na véspera do julgamento do mensalão
(Foto: Cintia Acayaba/G1)Mensagens
Delator do mensalão, Jefferson passou o primeiro dia de julgamento sobre o caso internado no Hospital Samaritano, em Bota Fogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele foi diagnosticado com um tumor maligno no pâncreas e obteve licença médica para assistir ao julgamento do leito.
Barbosa disse que, como Jefferson não pode falar muito ao telefone, por conta do tratamento contra o câncer, eles trocam muitas mensagens. Ainda nesta quarta, véspera do julgamento, mandou uma mensagem para o defensor, após os exames.
"A biópsia deu carcinoma em primeiro grau, 90% de chances de cura. Mais uma luta que lutaremos", escreveu Jefferson. "Não nos entreguemos, a notícia é boa, logo comeremos um assado gaúcho", respondeu Barbosa. "Um vinho eu escolho e você paga", treplicou Jefferson.

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