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Categoria: Corrupção
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 Edson Luiz - Correio Braziliense - 01/08/2012
Há mais de dois meses, quando o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, compareceu à CPI que apura o esquema articulado por ele, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) afirmou que o bicheiro estava fazendo todos de bobos. Realmente, Cachoeira esteve na comissão, mas nada falou, já que as garantias jurídicas permitiram que ficasse calado.Texto completo
 E quase todos os outros depoentes que foram chamados pela CPI, por terem sido citados nas investigações que culminaram a Operação Monte Carlo, fizeram o mesmo: emudeceram-se.
Na semana passada, um novo lance envolvendo Carlinhos Cachoeira mostrou que não só os senadores estavam fazendo papel de bobo, mas também a própria sociedade. Todos sabiam que o contraventor não iria falar em juízo, mas, mesmo assim, viajaram com ele para Goiânia. Dito e feito: ele se manteve calado. E vai ser assim por muito tempo, até que deixe a prisão. Porém, quem paga parte da conta é a população, que vai arcar com o custo do translado de Cachoeira, com o pagamento das diárias dos agentes públicos que o levaram, com a mobilização de um grande esquema de segurança, entre outros custos.
Mas dificilmente Cachoeira falará agora. Porém, deve continuar articulando com o mundo fora da cadeia, por meio de terceiros ou de parentes, como a própria mulher, Andressa Mendonça. Na segunda-feira, por exemplo, ela foi levada à Superintendência da Polícia Federal para se explicar sobre uma suposta tentativa de chantagem contra o juiz Alderico da Rocha Santos. Tudo leva a crer que foi a pedido do companheiro, segundo o Ministério Público. Muita gente pode pensar que a atitude da mulher foi ingênua, de amadora. Não foi. O que ocorreu foi uma demonstração de que no país ainda vigora a impunidade. Que aqui se pode fazer o se quiser que nada acontece, mas a ação da Justiça mostrou que isso não é verdade, felizmente.
O gesto da mulher mostrou, também, que Cachoeira não tem medo das consequências. Uma delas foi a proibição à Andressa de ter contato com o marido. Até quando o bicheiro vai acreditar nisso, ninguém sabe, mas uma coisa é certa: cada ação dessa natureza piora sua situação e prorroga seu tempo de prisão. Isso, pelo fato de as autoridades avaliarem que, se preso ele age dessa forma, solto fará muito mais.