Na clandestinidade, eles atuam melhor.
Estão acostumados. Agem assim desde
a década de 60. Mentem, roubam e que-
rem convencer o Brasil que lutavam e 
e lutam pela liberdade, pela democracia;
que jamais  assaltaram bancos. Apenas 
"expropriavam". Que jamais mataram,
apenas "justiçavam"
.
José Dirceu e essa turma de "idealistas"
para permanecer no poder são capazes 
de tudo...
Recomendamos a leitura da Veja que 
nas bancas.  

Ex-militante do grupo guerrilheiro na década de 1970, réu do mensalão faltará a encontro por recomendação de assessores
Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense - 28/07/2012 
 
Advogados de José Dirceu recomendaram que ele evitasse polêmicas e holofotes antes do julgamento
O ex-chefe da Casa Civil e principal réu do julgamento do mensalão, José Dirceu, cedeu aos apelos de pessoas próximas e não vai participar do ato em homenagem ao Movimento de Libertação Popular (Molipo) que acontece hoje em São Paulo. Apesar da relação de Dirceu com a Molipo ser muito forte — foi no movimento que ele atuou no combate ao regime militar —, o ex-ministro reconheceu que uma aparição pública a menos de uma semana do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) seria pouco apropriada.
O advogado de José Dirceu, José Luis Oliveira Lima, afirmou ao Correio durante esta semana que a decisão quanto à participação do ex-chefe da Casa Civil no evento seria uma decisão de foro íntimo.
Texto completo
 
Dirceu optou por manter a tática de submersão, adotada quando deixou São Paulo para refugiar-se na casa da mãe em Passa Quatro (MG). O ex-ministro não deu entrevistas e, durante os sete dias em que passou em sua terra natal, cumprimentou moradores, passeou pelas ruas da cidade com um agasalho da seleção brasileira e recomendou, em tom irônico aos jornalistas, que aproveitassem P4, apelido carinhosos dado pelos moradores à pequena cidade mineira de pouco mais de 15 mil habitantes.
Mais do que descansar, a avaliação é de que a participação no evento da Molipo poderia trazer prejuízos às vésperas do julgamento no STF. Dirceu queria ir, mas acabou cedendo aos apelos. Ele já havia agido por impulso durante um evento em homenagem à União Nacional dos Estudantes (UNE), em 9 de junho, quando conclamou os estudantes a saírem às ruas para defendê-lo. Este julgamento é uma batalha política e deve ser travada nas ruas também porque senão a gente só vai ouvir uma voz, pedindo a condenação. É a voz do monopólio (sic) da mídia. Eu preciso do apoio de vocês. Não permitam julgamentos fora dos autos, disse Dirceu, a aproximadamente mil militantes.
No caso da Molipo, a relação com a plateia é diferente. Entre os estudantes, Dirceu é visto como um herói, um símbolo da luta contra a ditadura e um ícone da esquerda, afirma um aliado do ex-ministro. Todos estão no mesmo nível, lutaram juntos, treinaram em Cuba, muitos morreram. Dirceu e os demais estão no mesmo patamar de igualdade, completa uma pessoa próxima ao ex-ministro.
Assalto a bancos
O Molipo concentrou sua atuação em São Paulo. Segundo o livro Direito à memória e à verdade, editado pela Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, a prática do grupo consistia em assalto a bancos para obtenção de fundos, expropriação de armas, atentados a bomba, ações de propaganda armada. Dirceu seria um dos palestrantes do evento deste ano da entidade, ao lado do advogado Pedro Rocha Filho. Também será lançado o livro As quatro mortes de Maria Augusta Thomas, de Renato Dias.
A homenagem à Molipo faz parte de um encontro chamado Sábados resistentes, promovido uma vez por mês pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Memorial da Resistência. É um evento de resgate do passado e de ligação com o presente, explica o jornalista Ivan Seixas, membro da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos e do Núcleo de Preservação da Memória Política. Nesses encontros, já foram discutidas a Guerrilha do Araguaia, a luta armada, e a participação das mulheres na luta contra a ditadura.
Memória
Incentivo de Cuba
O principal réu do processo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu, não era a estrela do Movimento de Libertação Popular (Molipo). Criada a partir de uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN), a Molipo teve sua atuação incentivada pelo serviço secreto cubano.
O grupo de Dirceu surgiu após o assassinato da principal liderança da ALN, Carlos Marighella, assassinado em 4 de novembo de 1969. A ALN passou a ser dirigida por Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, que não aceitava a interferência do serviço secreto cubano, alegando que ele seria responsável por alguma ações fracassadas do grupo. Os dissidentes receberam treinamento em Cuba e ficaram conhecidos como Terceiro Exército da ALN, ou Grupo da Ilha, ou Grupo dos 28.
As ações do Molipo para arrecadar fundos no combate à ditadura militar — que incluía ataques terroristas, sequestros e roubos — concentraram-se em São Paulo e no Rio de Janeiro, embora o grupo também agisse em outras regiões, como na Bahia e em Goiás. Durante a década de 1970, o Molipo foi praticamente dizimado e vários de seus integrantes foram mortos, a maioria em confrontos com a polícia. Apenas três integrantes sobreviveram, entre eles José Dirceu.
Proximidade com o PT
A União Nacional dos Estudantes tem uma relação muito próxima com os governos do PT, embora tradicionalmente seus dirigentes sejam ligados ao PCdoB. Durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a entidade conseguiu uma indenização de R$ 44 milhões pela sua atuação na luta contra o regime militar. Esses recursos servirão para a construção da nova sede da entidade, na praia do Flamengo (zona Sul do Rio). O prédio terá 13 andares que abrigarão um teatro e um memorial com a história da entidade. Abrigará ainda a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).
Adicionar comentário