Renato Ribeiro Soares morre aos 86
Delegado aposentado ficou conhecido principalmente por atuação durante a Ditadura Militar
Jornal A Cidade de Ribeirão Preto
A CidadeFamiliares e amigos prestaram última homenagem a delegado aposentado durante todo o dia de sábado (21)
Morreu na manhã de sábado (21), em Ribeirão Preto, o delegado aposentado Renato Ribeiro Soares, aos 86 anos. Seu corpo será cremado neste domingo (22), às 9h, em Jaboticabal.
Soares foi delegado Regional de Polícia em Ribeirão de 1968 a 1983. Ficou conhecido por sua atuação na época da Ditadura Militar, quando chegou a ser excomungado pela prisão de Madre Maurina. Acabou absolvido pela Igreja Católica em 1975.
O filho do delegado, Nilton Soares, disse que seu pai deixa como lição o caráter. "Ele também foi um exemplo de policial nato. Era um homem de caráter fantástico", disse.
Soares deixa outros dois filhos e cinco netos.
Homenagem de amigos
Amigos do delegado passaram pelo velório para uma última homenagem. Diversas coroas de flores foram enviadas ao velório Samaritano.
Bastante emocionado, o ex-delegado Seccional Luiz Carlos Pires disse que o amigo foi o delegado que mais honrou a classe. "Foi um homem de caráter e que tinha muito amor pela profissão."
Já o delegado aposentado Ademar Birches Lopes, que atuou como assistente na Seccional e também na antiga Delegacia Regional, recorda lições dadas pelo amigo. "Ele sempre pedia para a gente tomar conta de tudo com responsabilidade", disse.
O delegado Luiz Roberto Ramada Spadafora, que chegou a chefiar o Deinter de 2000 a 2005, disse que Soares deixa exemplos. "Como homem foi fabuloso. Eu o tinha como um segundo pai. Já como profissional também foi um exemplo. Era muito responsável."
Outro delegado da Seccional aposentado, José Manoel de Oliveira disse que o amigo fará falta em Ribeirão.
Igreja o absolveu após excomunhão
Renato Ribeiro Soares foi delegado regional em Ribeirão Preto na época da Ditadura Militar. Ele chegou a ser excomungado pela prisão de Madre Maurina, notícia que ganhou repercussão nacional. Porém, foi absolvido pela Igreja Católica no dia 9 de agosto de 1975.
Em carta enviada ao Jornal A Cidade e publicada no dia 2 de março de 2008, Soares dizia: "Quanto à minha condução como Delegado de Polícia Civil, chefiando o organismo nesta cidade por ocasião dos fatos relativos à prisão de ‘terroristas’ que agiam aqui e na região, entrego o julgamento a povo desta cidade".
"Conseguimos, então, sem que explosões ocorressem retirar os artefatos que estavam nas ‘Lojas Americanas’, Correios e Telégrafos; Fábrica da Coca-Cola e ‘Cine Centenário’, dizia na carta. Segundo ele, esses locais eram visados pelos terroristas.
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