O início da década de 1960,com a posse de Jango na Presidência da República, caracterizou-se por galopante e variada infiltração comunista no país, em todos os níveis da administração pública. Houve por parte do governo uma grande abertura política para a extrema esquerda, o que favoreceu vários movimentos subversivos Atuavam ativamente, além do PCdoB , do PORT, das Ligas Camponesas  entre outras as seguintes organizações:

Ação Popular    

Um grupo de esquerda na Igreja Católica, composto entre outros, por Dom Hélder Câmara, Dom Antônio Fragoso, os padres Francisco Lago, Alípio de Freitas e pelos jovens da esquerda católica - Juventude Operária Católica (JOC),  Juventude Universitária Católica (JUC) e Juventude Estudantil Católica (JEC) - divergia na forma de ação. Os integrantes mais radicais desses grupos de jovens, impedidos de exercer atividades políticas no seu meio, se agruparam e se estruturaram dentro de novas concepções.
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Despertados pelo ideal da “Revolução Brasileira”, organizaram um novo grupo, que contava, em sua grande maioria, com universitários, intelectuais e artistas.
Em janeiro de 1962, em São Paulo, criou-se o Grupo de Ação Popular.
Em junho desse mesmo ano, em Belo Horizonte, foi aprovado um documento que alterou o nome da organização para Ação Popular, sendo eleita uma coordenação nacional.
Desde o início, a AP teve também um ramo da linha protestante. Um dos seus líderes foi  Paulo Stuart Wright*, considerado desaparecido político.
Sempre caminhando para a esquerda, orientando-se pela linha chinesa e cada vez mais se aproximando do PCdoB, tornou-se dia a dia mais radical.
Em fevereiro de 1963 foi realizado o I Congresso da AP, considerado oficialmente como o seu Congresso de Fundação.
Seus principais fundadores, na maioria líderes estudantis, foram: Herbert José de Souza (Betinho); Aldo Arantes; Luís Alberto Gomes de Souza; Haroldo Borges Rodrigues Lima; Cosme Alves Neto; Duarte Pereira; Péricles Santos de Souza; Vinícius Caldeira Brandt; Jair de Sá; e José Serra.
Antes de 1964 já circulava o jornal Ação Popular, porta-voz das ideias revolucionárias do movimento.
Todos teriam papel de destaque nos atos de subversão e violência no período pós Contrarrevolução de 1964.
Como se pode observar  a AP atuava  subversivamente no meio estudantil muito antes da Contra-revolução de 1964.
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POLOP
Em 1960, o núcleo leninista do Rio de Janeiro, que representava a corrente da esquerda marxista independente e publicava a revista "Movimento Socialista", juntando-se a dissidentes do Partido Socialista Brasileiro -PSB -, elaborou um documento propondo a criação de um "partido revolucionário da classe operária" e apresentou um projeto de estatuto.
À proposta do grupo do Rio de Janeiro, juntaram-se a "Liga Socialista" de São Paulo, membros da "Mocidade Trabalhista" de Minas Gerais, e elementos da Bahia, de Goiás, de Brasilia, de Pernambuco e do Paraná.
Num verdadeiro cadinho ideológico, independentes e dissidentes trotskistas do PCB reuniram-se no interior de São Paulo, em fevereiro de 1961, e realizaram o Congresso de Fundação da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária - ORM-PO -, mais conhecida como POLOP ou, simplesmente, PO. Seus principais ideólogos eram  Erico Czackz, Eder Simão Sader, Rui Mauro de Araújo Marini e Teotônio dos Santos, os dois primeiros mais conhecidos como, "Ernesto Martins" e "Raul Villa". A POLOP defendia o caráter da revolução brasileira como sendo "socialista", ao contrário do PCB que a caracterizava como "nacional-democrática". Enquanto o PCB propunha a constituição de uma "frente única" congregando a "burguesia e o proletariado", a POLOP lutava pela formação de uma "frente dos trabalhadores da cidade e do campo", excluindo a burguesia. Visualizava, também, a criação de um grande partido revolucionário a partir de uma "Frente da Esquerda Revolucionária" - FER -, que congregasse as diversas "vanguardas" existentes fora da esfera da influência "reformista e colaboracionista" do PCB.
Em seus primeiros anos, até 1964, a POLOP viveu a fase da "luta ideológica contra o reformismo dominante". Em julho de 1963, no Rio de Janeiro, realizou o II Congresso Nacional, quando transformou o seu boletim "Política Operária" em jornal e, mais tarde, no inicio de 1964, em revista. Por decisão do Congresso, a organização deveria buscar uma atuação mais efetiva junto ao operariado, procurando a efetivação da FER juntamente com o PCdoB, com a Ligas Camponesas e alguns trotskistas.
Recrutou militares nacionalistas e, em 1963, a POLOP apoiou e orientou a subversão dos sargentos em Brasília e concitou o PCB, por meio de uma "Carta Aberta", a romper com o reformismo e com o Governo de João Goulart.
Em março de 1964, em São Paulo, pouco antes da Contra-Revolução, realizou o seu III Congresso Nacional, no qual se colocou contra a Campanha pela Constituinte, defendida pelo PCB e por Brizola. A Contra-Revolução de 31 de março de 1964 encontrou a POLOP às voltas com discussões teóricas internas e na incipiente tentativa de penetrar no meio operário, até então impermeável a essa organização de origem intelectual burguesa ( Projeto Orvil).
Nilmário Miranda e e Dilma Rousseff iniciaram suas militâncias nessa organização.
Mais adiante escreveremos sobre  as organizações  que  se originaram com membros da POLOP.
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