Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz-Clemente
E o assassinato de Henning Boilesen
BOMBA: Carlos Sarmento Coelho da Paz - "Clemente" foi promovido a Terceiro - Sargento do EB
Pesquisado e editado pela editoria do site www.averdadesufocada.com
Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz - "Clemente" dedica seu livro "Viagem a luta Armada" (Ed. Civilização Brasileira, 1996),- entre outros  "a todos os companheiros da Ação Libertadora Nacional - ALN, que com sacrifício de suas próprias vidas, escreveram algumas das mais belas páginas de nossa história"
 No prefácio , Franklin Martins faz um pequeno resumo da vida de "Clemente , que desde os 17 anos,  já se incorporara à luta armada em uma das mais violentas organizações existentes - a ALN -, que  tendo como mentor Carlos Marighella, pretendia " derrubar a ditadura militar, através da guerra de guerrilha". Em pouco tempo, segundo o prefácio, "Clemente"
:"tornou-se um dos principais chefes militares da ALN" .
Texto completo
O próprio "Clemente" faz questão, até hoje, de ser de se vangloriar  "de ter sido o comandante de um dos mais ativos grupos de combate".
 Há passagens interessantes nesse livro ,  o prefácio é um trecho que merece uma história mais clara e verdadeira do que as pilulas douradas de quem quer vender o peixe a seu modo - omitindo objetivos da luta armada, negando as ações armadas e apresentado o regime como sangrento e torturador de jovens idealistas. Fala nas ações armadas, da guerrilha urbana , captura de armas, assaltos a bancos, explosões de prédios públicos, sequestros de embaixadores, etc, como consequência do endurecimento do regime, com a promulgação do  AI 5,em 13/12/1968,  quando na realidade o AI 5 foi um recurso para conter a onda de violência que assolava o país - assaltos ; policiais mortos, suas armas roubadas; viaturas militares incendiadas; sentinelas de quartéis mortos;  assassinato do major alemão Edward von Westernhagen (07/1968); assassinato do capitão americano Charles Rodney Chandler (10/1968) - dois oficiais estrangeiros que faziam cursos no Brasil -; atentado a bomba no Aeroporto de Guararapes (1966); Explosão do QG do II Exército ( 06/1968) e assalto ao Hospital Militar/SP ( 06/1968). Dezenove mortos no total.
O livro é romanceado, como o autor mesmo declara. Um dos  exemplos  é o  o "justiçamento
" de Ary Rocha Miranda, por Eduardo Collen Leite, - "Bacuri" - a morte é contada como acidental, e o enterro do morto com tintas completamente diferentes da verdadeira versão - "justiçamento" e ocultação de cadáver.
 Um outro militante, Wilson Conceição Pinto,  que também seria "justiçado" por eles, é "pintado" como um covarde que fugiu por estar despreparado para a guerrilha. Na verdade, ele pretendia apenas mudar de organização. Com a execução de Ary, por "Bacuri", Wilson,  fugiu e   entregou-se a polícia, antes que tivesse o mesmo fim de Ary Rocha Miranda.
Até hoje, o corpo de Ary Rocha Miranda , enterrado clandestinamente, se encontra em algum lugar de Embu-guaçu para uns ou em Itapecerica da Serra para outros.   

Voltando ao "Clemente" é bom saber que poucos participaram de tantas ações armadas como ele e, poucos mataram tantos como ele. Sarmento Coelho da Paz  alardeia  cerca de 10 ou doze assassinatos , inclusive "justiçamentos" de companheiros . Foram tantos que até  perdeu a conta. Veja o vídeo  aqui
Apesar de uma repressão tão violenta como eles apregoam, foram muitos os que nunca foram presos. O próprio prefaciador, Franklin Martins, preferiu pular fora, bem  cedo, logo depois  do sequestro do embaixador americano( 09/1969), que o próprio havia proposto e,  do Chile, juntamente com outros, bem mais seguro,  comandava as ações armadas no Brasil.
"Clemente" foi outro dos muitos, que escaparam da repressão. Quando o tempo ficou quente para o lado dele, lá pelos idos de 1973, se mandou inicialmente para Cuba, deixando seus "comandados" aos cuidados da própria sorte, o que aconteceu com muita gente. 
Por que será que "Clemente' , com tantas ações armadas, com tantas mortes nas costas, com tantos companheiros mortos, alguns inclusive "justiçados por ele", saiu incólume, sem nem mesmo ter passado pela prisão? Isso que era conhecido - servira o Exército a partir dos 18 anos para aprender  técnicas de contra-guerrilha militares e poder  usá-las na  ALN, por sugestão de Marighella. Aliás, no seu livro , "Viagem a Luta Armada"  há um diálogo entre Marighella e ele , discutindo sua infiltração no Exército.
Fora soldado dedicado, até mesmo destacado, campeão de tiro, fora condecorado e, mesmo assim, escapou incólume...

Para conhecer melhor esse jovem, que da Paz não tinha e não tem nada e que , provavelmente, o codinome "Clemente" deve ter sido escolhido por gozação,  é necessário transcrever alguns pequenos trechos de seu romance :
"... è sempre assim depois que acaba". (referindo-se a uma fuga) . "Alegria desconfortável, cansaço, lassidão, vontade de gritar , bronca, medo , ódio e estou pronto para recomeçar. Que alimento sublime é o ódio, pena tantas contradições."
Ou antes de uma ação:..." È uma frieza que impulsiona com rapidez, precisão e crueldade, para o esmagamento do inimigo e a fuga da morte. Um frio animal Sou um frio animal , quando sinto o cheiro de pólvora e descarrego adrenalina."
 Mas para conhecer além  de Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz e a própria guerrilha,  vale a pena entrar no  endereço
 (
http://www.cedema.org/uploads/Artigo-6-p205.pdf ) e ler trechos de sua entrevista à Denise Rollemberg  que escreveu "O Apoio de Cuba a Luta Armada no Brasil" (Ed. Mauad).
O leitor poderá compreender também a influência de Cuba na luta armada brasileira, o apoio de Fidel Castro e ver as declarações de vários outros entrevistados.
 "Clemente" confirma sua infiltração no Exército  e o empenho nos treinamentos , chegando a receber uma medalha no Forte de Copacabana, ao mesmo tempo de suas atividades na guerrilha, fala dos companheiros em Cuba, dos agentes duplos, de seu fascínio por Marighella e de seu desejo de tornar o Brasil uma ditadura comunista
"Eu já vivi, já vi, já refleti, já li, já reli, vi e já conheci a metodologia cubana, já conheci a metodologia soviética, já conheci a metodologia chinesa... Eu era uma pessoa marighellista. Não A ALN e Cuba... entrei no Partido Comunista e saí. Entrei na ALN e depois o Marighella pediu para entrar no Partido Comunista para travar a luta política. Eu era marighellista, eu entrei na esquerda dentro de uma visão marighellista... eu era socialista, queria o socialismo, queria o comunismo [...] mas quem eu reconhecia como liderança, a pessoa que eu dizia assim: “É esse cara que eu vou seguir”, foi o Marighella, sempre foi."
 Isso tudo não é novidade. Ele já declarou com orgulho em vídeos, em depoimentos  na tv, em jornais , palestras em universidades.
O que  eu não sabia era que, apesar de ter desertado, de ter sido o que foi dentro do Exército, apesar de não se saber como nunca foi preso, foi anistiado e  promovido  a Terceiro -Sargento , conforme portaria abaixo:
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais, com fulcro no artigo 10 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial de 14 de novembro de 2002 e considerando o resultado do julgamento proferido pela Comissão de Anistia na 16ª Sessão , Caravana da Anistia na cidade de Belo Horizonte, realizada no dia 13 de agosto de 2009, no Requerimento de Anistia n° 2003.01.27650, resolve:
 
Nº 34 - Declarar CARLOS EUGENIO SARMENTO COELHO DA PAZ, portador do CPF nº 022.477.858-75, anistiado político, reconhecer o direito as promoções à graduação de Terceiro-Sargento com os proventos da graduação de Segundo-Sargento e as respectivas vantagens, conceder reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada no valor de R$ 4.037,88 (quatro mil, trinta e sete reais e oitenta e oito centavos), com efeitos financeiros retroativos da data do julgamento em 13.08.2009 a 14.08.1998, perfazendo um total de R$ 577.416,84 (quinhentos e setenta e sete mil, quatrocentos e dezesseis reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do artigo 1°, incisos I e II, Parágrafo Único da Lei nº 10.559 de 13 de novembro de 2002.
http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1577171/dou-secao-1-04-02-2010-pg-37
 
 

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