Imprimir
Categoria: Corrupção
Acessos: 3172
 Almiro Marcos - Lilian Tahan - Correio Braziliense - 17/04/2012
O comitê Ficha Limpa do Distrito Federal deu entrada ontem, na Câmara Legislativa, com pedido de impeachment contra o governador Agnelo Queiroz (PT). A solicitação se baseia em denúncias desde a época em que Agnelo era ministro do Esporte, até as atuais.
Texto completo

A Procuradoria da Casa tem cinco dias para se manifestar a respeito da solicitação. Um dos pontos que define a aprovação é a exigência legal de que o documento tenha provas.
O porta-voz do GDF, Ugo Braga, classificou o pedido como absurdo e uma tentativa de "golpismo barato". A crise política provocou um debate nos partidos que compõem a base aliada.
Liderado pelo senador Rodrigo Rollemberg no DF, o PSB discute a possibilidade de deixar o Executivo.
O senador Cristovam Buarque (PDT) cobra do partido a saída do distrital Israel Batista da base. Ontem, filiados ao PPS se reuniram para decidir a situação da sigla diante dos últimos episódios. A tendência é de rompimento.

                                 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

O efeito cascata
Por Carlos Alexandre - Correio Braziliense - 17/04/2012 
Já se passaram praticamente 10 anos desde a estreia de Carlinhos Cachoeira, em 2004, na crônica dos escândalos de grosso calibre em Brasília. O flagrante de propina a Waldomiro Diniz, à época assessor do todo-poderoso José Dirceu na Casa Civil, foi o primeiro episódio a derrubar a máscara ética exibida pelo PT.

Em março de 2012, Waldomiro foi condenado a 12 anos de prisão pelo crime de corrupção. Carlinhos Cachoeira tratou de ampliar sua influência nos meios políticos, alternando ações criminosas com atividades empresariais a fim de obter vultosos contratos na administração pública. Está preso desde 29 de fevereiro, após a Operação Monte Carlo identificar um megaesquema que envolve bingos e lavagem de dinheiro, desferir um golpe mortal na carreira de um senador e provocar calafrios em políticos de diversos partidos e autoridades de toda ordem.

A influência de Carlinhos Cachoeira causa assombro precisamente pelo fato de se desconhecer até o momento a extensão dos tentáculos do esquema. O entusiasmo inicial do governo federal rapidamente transformou-se em receio, exatamente pela constatação de que nenhum político brasileiro, neste momento, está em condições de escapar ileso de suspeitas e de ataques. O esquema comandado pelo bicheiro de Goiás, agora jogado à luz, provoca um temor em cascata a integrantes do PT, do DEM, do PSDB e das demais legendas partidárias.

A sombra de Cachoeira causa angústia porque se mostra capaz de aniquilar a biografia de personalidades que acumulam capital político na arena de Brasília. Mas nada está definido. Há pouco mais de um mês, Demóstenes Torres gozava de tamanho prestígio que, após a revelação das primeiras denúncias por este Correio, o Senado promoveu ruidosa sessão de desagravo ao parlamentar, com nada menos que 44 apartes favoráveis. Este é o mesmo Senado que se prepara para dois movimentos: integrar a comissão mista que investigará as atividades da quadrilha de Cachoeira e conduzir o eventual processo de cassação do senador expulso do Democratas. Nada indica que haverá resultados efetivos nesses dois institutos.

É improvável que o Congresso, em ano eleitoral, se aprofunde em remexer as entranhas da política nacional. E resta a pergunta: quando estaremos livres do banditismo que sustenta a vida pública brasileira?