Vamos às Redes Sociais! Não deixem a
  roubalheira corroer o Brasil! Cadê o jul-
  gamento do "mensalão"?
Por Denise Rothenburg - Correio Braziliense - 16/04/12

A CPI do Cachoeira será a primeira sob a égide de redes sociais onde eleitores têm contato direto com os políticos e podem exigir uma apuração do tipo doa a quem doer. O efeito, se brincar, será o mesmo que o da Ficha Limpa
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) lançou da tribuna do Senado o que parece ser a esperança de todos os brasileiros... 
...que desejam ver esclarecidas a teia de Carlinhos Cachoeira, da turma do mensalão e de quem mais chegar: a necessidade de a população começar a se mexer em prol das apurações como se mobilizou para fazer valer a Lei da Ficha Limpa que, aos trancos e barrancos, vai tomando corpo.O senador gaúcho costuma enxergar longe. Tem o dom de se renovar e, não raro, está muito mais atualizado do que seus colegas mais novos. Conhecido como o "demolidor" de ministros, Simon já passou por muitas no Congresso. Houve um tempo em que bastava uma autoridade aparecer enroscada ou sugada por alguma encrenca para que um discurso do senador terminasse de vez com a defesa de quem estivesse nessa situação. Que o diga o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, do governo Fernando Henrique Cardoso.
Para quem não se recorda, Mendonça de Barros ocupava o cargo quando surgiram gravações telefônicas (sempre elas!) que indicavam uma ação para direcionar os leilões para venda das empresas de telefonia. O então ministro foi ao Congresso se defender. Fez uma exposição no plenário do Senado aparteado por vários senadores. Quando chegou a vez de Simon falar, Mendonça de Barros ficou tão constrangido que saiu dali direto para redigir a carta de demissão.
Por falar em sair...
De alguns anos para cá, as autoridades parecem meio anestesiadas com discursos de Simon. Mas, na última sexta-feira, na tribuna da Casa, ele apostou que esta CPI para investigar Carlinhos Cachoeira virá com força total porque será a primeira grande Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, daí a sigla CPMI, sob a égide das redes sociais. Twitter, Facebook, e outros instrumentos vão permitir ao cidadão conectado acompanhar de perto e participar diretamente dos debates.
Com base na audiência da TV Senado, que bateu recordes em outras CPIs, Simon é capaz de apostar que você que está aí, lendo este artigo, pode ajudar nos interrogatórios, enviando perguntas para os senadores, denunciando, pressionando. Até aqui, o povo só assistia as CPIs. No máximo, algumas pessoas que conseguiam transitar por ali mandavam um bilhetinho aos senadores via assessores. Agora, não. O cidadão estará conectado à CPMI.
Por falar em conectado...
Simon lembrou ainda que os políticos não queriam a lei da Ficha Limpa. Da mesma forma que hoje estão seguindo para a CPI com um certo receio dos estragos que ela pode causar aos partidos políticos, ao DEM ao PT, como foi amplamente explorado no noticiário dos últimos dias. Mas, se houver uma pressão nas redes sociais e na sociedade civil, essa capacidade de controle será menor. Afinal, reza a lenda que, quando a população de mobiliza, o resultado se aproxima mais do que o povo deseja. Portanto, às redes!
Por falar em mobilização...
Aqui e ali surgem notícias de que personagens do chamado mensalão têm reclamado que o Supremo Tribunal Federal se mostra sujeito à pressão popular. Há quem diga que, ao garantir a validade da Lei da Ficha Limpa, o STF teria meio que se rendido ao clamor das ruas, uma vez que, na visão de muitos advogados, a lei é inconstitucional e só prosperou porque a população se mobilizou.
Bem, ainda que seja assim, ela está aí e os ministros que votaram a favor não podem ser acusados de rendição. Até porque quem votou a favor dirá ter a convicção de que a lei está correta e esse conjunto foi o que prevaleceu. Vale aqui, a outra face desta moeda: O fato de alguns petistas considerarem que o STF está sujeito ao clamor das ruas pode ser visto também como uma espécie de vacina contra um eventual resultado desfavorável no Supremo tribunal Federal. Assim, se a Suprema Corte considerar que os personagens envolvidos são culpados, eles sempre poderão dizer que foram injustiçados e que o STF se rendeu ao clamor da parte da população que é contrária ao PT. Essa será mais uma batalha que poderá ser travada nas redes sociais no futuro.

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