Essas águas vão respingar para todos os lados!
  Tem gente já procurando apoio em alguma bóia
  potente que não deixe afundar...

 Roberto Freire - Brasil Econômico - 13/04/12
A direção nacional do Partido Popular Socialista (PPS) e sua bancada na Câmara dos Deputados apóiam integralmente a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para apurar a atuação e influência do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

 

Em nossa avaliação, a instalação de uma CPI mista, composta por deputados e senadores, terá mais condições de apurar o funcionamento de toda a rede criminosa comandada pelo empresário, preso durante a operação Monte Carlo da Polícia Federal.
A CPI não deve apenas se concentrar no envolvimento de deputados e senadores com Carlos Cachoeira, como parece ser a intenção do governo de Dilma Rousseff. Precisa ir além para esmiuçar toda a ramificação de sua organização nos governos federal, estaduais e municipais. Para o PPS, a apuração também deve centrar foco nos relacionamentos de Cachoeira com o mundo empresarial.

Além disso, há fortes indícios da atuação da organização criminosa de Carlinhos Cachoeira no financiamento de campanhas eleitorais, outro ponto a ser investigado pela CPI. De nossa parte, reafirmamos ainda nossa firme vigilância com relação aos atos da administração federal e de quaisquer outros governos ou parlamentares envolvidos em denúncias de irregularidades ou que pratiquem atos contrários ao interesse público.
À medida que novas informações são publicadas pela imprensa, sinto que por trás dessa enxurrada de ilícitos o que estamos paulatinamente vendo desnudar-se é o Estado preso à lógica mafiosa. A Operação Mãos Limpas realizada nos anos 80 na Itália já demonstrou até onde pode ir o conluio entre agentes do Estado e o crime organizado.

Não nos esqueçamos de que desde assassinato do prefeito Celso Daniel, em Santo André, bem antes da eleição de Lula, passando pela denúncia do "mensalão" em seu primeiro mandato, uma "sofisticada organização criminosa especializada em desviar recursos públicos" - como foi definida pelo Procurador Geral da República -, o que estamos assistindo é a mesma lógica mafiosa instalar-se no centro da estrutura do Estado no Brasil com grandes e pequenos agentes.

Enquanto não aprofundarmos a investigação das relações entre "crime organizado" e Estado, estaremos muito longe de compreender o fenômeno da lógica mafiosa que no Brasil encontrou um terreno fértil para crescer à sobra de um Legislativo e Judiciário lenientes e um Executivo acolhedor de tais práticas.
É a lógica mafiosa do Estado que se instalou no país que devemos mirar, com o apoio das investigações da Polícia Federal e imprensa, mesmo que grande parte da sociedade ainda continue míope para a verdadeira questão que estamos enfrentando: a relação incestuosa entre Estado e crime organizado.

Enquanto isso, um assessor do Palácio do Planalto informou ao governo ter conversado, em 2010, com um dos principais aliados do empresário Carlinhos Cachoeira para tratar do apoio do senador Demóstenes Torres, à candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Nunca o Brasil necessitou tanto de uma Operação Mãos Limpas, como agora.
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CPI vira 'vale tudo' e pode ressuscitar caso Waldomiro, caixa 2 e mensalão
Por
João Domingos - Brasília - O Estado de São Paulo - 13/04/2012 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que deve ser instalada no Congresso na próxima semana, promete ressuscitar escândalos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial o que atingiu Waldomiro Diniz, o ex-assessor da Casa Civil na gestão de José Dirceu, e pode esbarrar novamente em um tema delicado a todos os partidos políticos: o financiamento ilegal de campanhas eleitorais.
Apesar de o requerimento de instalação da CPI dizer que ela deve "investigar práticas criminosas do senhor Carlos Augusto Ramos, desvendadas pelas Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal" - o que significaria um espaço temporal de 2009 para cá -, o entendimento dos partidos de oposição, que será minoria na comissão, é de que todos os fatos correlacionados podem ser tratados. A Vegas, concluída em 2009, investigou negócios ilícitos de Cachoeira, que pressionava o Congresso pela legalização dos jogos de azar. A Monte Carlo aprofundou as investigações sobre a rede de negócios do "empresário" Cachoeira.
"O Supremo Tribunal Federal decidiu que as CPIs podem fazer as investigações nesses casos, independentemente de espaço temporal", disse o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).
O PT, por sua vez, pretende utilizar o espaço da CPI para punir algozes do governo Lula, em especial o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), cuja relação de proximidade com o contraventor Cachoeira ficou clara em diálogos flagrados pela Polícia Federal. Demóstenes foi um parlamentar extremamente atuante, sobretudo na CPI dos Correios, que se debruçou sobre o episódio do mensalão no governo Lula. O Supremo vai julgar, provavelmente neste ano, os 38 réus do caso mensalão.
A amplitude das investigações também alcançaria em cheio figuras tarimbadas da oposição, como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), alvo do PT na CPI. Perillo já admitiu ter um relacionamento pessoal com Cachoeira e disse que todos os políticos de Goiás tinham ligações com o contraventor pelo fato de ele ser um empresário.
A janela de oportunidade aberta pela própria base governista para a oposição vasculhar malfeitos no governo do ex-presidente Lula e até mesmo da presidente Dilma Rousseff já preocupa o Palácio do Planalto.
O texto da CPI negociado ontem prevê que poderão ser investigados "agentes públicos e privados" ligados ao esquema de Cachoeira. Ou seja, elos do contraventor com administrações públicas, como as de Goiás e do Distrito Federal, que já vieram à tona, serão explorados. O Estado publicou ontem reportagem mostrando que os grampos indicam a rede de influência da construtora Delta no governo do DF, administrado pelo petista Agnelo Queiroz, negociada por aliados de Cachoeira.
Waldomiro e mensalão. Em fevereiro de 2004 uma fita amplamente divulgada mostrou o então assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz pedindo propina para Cachoeira. Na época, o contraventor mostrava interesses nas máquinas de apostas das loterias administradas pela Caixa Econômica Federal. O caso culminou na investigação de financiamento de campanha pelo jogo do bicho e caixa 2.
Além de ressuscitar o episódio, a oposição quer pelo menos fazer barulho novamente sobre o mensalão. Pretende procurar algum tipo de ligação entre Cachoeira e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, denunciado pelo Ministério Público como um dos idealizadores do mensalão. Delúbio é réu no Supremo. Assim como Cachoeira, Delúbio é de Goiás.
"Isso que é chamado de mensalão, e que nós, petistas, repudiamos e afirmamos que não existiu, tem sua própria rotina. Será julgado pelo STF. Se quisermos falar desse episódio, temos de tratar de financiamento de campanha, e não de ocupação da máquina do Estado, como queria o Cachoeira. Mensalão é caixa 2, é outra coisa", justificou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).
Alvo. A oposição já elegeu como seu alvo prioritário na CPI o governador petista Agnelo Queiroz e vai insistir na suspeita de cobrança de fatura por parte da Delta Construções por supostas doações eleitorais não registradas. "O governador de Brasília terá de explicar isso na CPI", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos dois titulares dos tucanos da Câmara na comissão parlamentar.
 
 

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