Agnelo já admite ter encontrado bicheiro
  
 E agora, Agnelo, vai escapar de
 mais essa onda
?
Agnelo agora diz que já esteve com Cachoeira
Por Jailton de Carvalho - O Globo - 13/04/2012 
Encontro aconteceu em Anápolis (GO) quando governador do Distrito Federal era diretor da Anvisa, afirma porta-voz
BRASÍLIA. O governador Agnelo Queiroz reconheceu ontem que teve um encontro com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo o porta-voz do governo, Ugo Braga, Agnelo teve uma reunião com Cachoeira entre 2009 e 2010, quando era diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O porta-voz negou contradições nas declarações do governador sobre as supostas relações com Cachoeira.
O nome de Agnelo apareceu em conversas de integrantes da organização do bicheiro sobre negócios da Delta Construções no governo do Distrito Federal.
Na quarta-feira, um repórter perguntou se Agnelo tivera um encontro com Cachoeira, conforme indicaria uma conversa entre o bicheiro e o araponga Idalberto Matias, o Dadá, gravada pela Polícia Federal em junho do ano passado. O governador se limitou a dizer que o encontro mencionado "não houve". Ontem, questionado novamente sobre o assunto, o governador respondeu, por intermédio do porta-voz, que teve um encontro com Cachoeira em Anápolis, há dois ou três anos.
- Quando ainda era diretor de Anvisa, ele (Agnelo) fez uma visita a laboratórios e, numa roda de empresários, foi apresentado ao Cachoeira. Mas foi numa rodinha de empresários. Eles não falaram a sós - disse Braga.
Referências ao governador aparecem em pelo menos dois trechos do relatório da Polícia Federal sobre os negócios da organização de Cachoeira. O nome de Agnelo foi citado numa conversa entre Dadá e Marcelo Lopes, ex-subsecretário de Esportes, conforme revelou o Jornal da Globo na quarta-feira. Marcelo trata Dadá pelo apelido de Chicão e avisa que Agnelo mandou "cuidar" da Delta.
"Teve uma reunião, Chicão, entre o Agnelo; Agnelo, o Rafael e João Monteiro, agora esses dias. E o Agnelo falou para o João diretamente, isso foi o Cláudio me contando, pra cuidar da Delta, pra deixar tudo, pra não dar problema nenhum no lixo", disse Marcelo no trecho gravado.
João Monteiro, que é o ex-diretor do Serviço de Limpeza Urbana de Brasília (SLU), foi demitido na semana passada, depois que começaram a surgir as primeiras informações sobre o suposto envolvimento de integrantes do governo Agnelo com a organização de Cachoeira. Rafael seria Rafael Barbosa, secretário de Saúde do governo do Distrito Federal. Cláudio é Cláudio Abreu, ex-diretor regional da Delta. João Monteiro teria sido indicado para o cargo pelo ex-chefe de Gabinete do governador Cláudio Monteiro.
O ex-chefe de Gabinete deixou o cargo depois que o nome dele apareceu em conversas entre Dadá e Cláudio Abreu. Os dois falavam sobre pagamentos e até sobre a doação de um rádio Nextel para João Monteiro.
   
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Várias nomeações no DF passavam pela Delta
Por Fábio Fabrini e Alana Rizzo - O Estado de S. Paulo - 13/04/2012  
Empreiteira indicava aliados para cargos-chave no governo e o esquema de Cachoeira, ligado à empresa, tinha acesso privilegiado a documentos, diz PF
Depois de abastecer a campanha do governador Agnelo Queiroz (DF), como indicam os grampos da Polícia Federal, a Delta Construções atuou no governo do petista indicando ocupantes para cargos-chave, para manter sua influência na administração.
Dona de 70% da coleta de lixo em Brasília, a empresa apresentou, via emissários, lista de nomes ao secretário de Governo, Paulo Tadeu, e emplacou seus aliados no Serviço de Limpeza Urbana (SLU), órgão que tem a função de fiscalizá-la.
Paralelamente, a empreiteira acionava arapongas para levantar informações de "inimigos" na administração, com o objetivo de provocar sua demissão.
Segundo conversas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, a organização do contraventor Carlinhos Cachoeira, ligada à empreiteira, tinha acesso privilegiado a documentos do governo, como as nomeações, antes que elas saíssem no Diário Oficial do DF.
O interesse da empreiteira era alocar "amigos" nos cargos de comando do SLU, especialmente as Diretorias de Limpeza das regiões administrativas. São elas as responsáveis por pagar pelos serviços de varrição e recolhimento de entulho. Até o fim de 2011, as medições eram feitas por estimativa. Com aliados nessas funções, a Delta tinha como garantir que o cálculo lhe seria favorável.
Num dos grampos, de 31 de março de 2011, o sargento Idalberto Matias, o Dadá, conversa com um funcionário da Delta sobre o envio de relação de nomeados a Paulo Tadeu, numa negociação intermediada pelo então chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, Cláudio Monteiro: "O Marcelão vai levar para o Cláudio Monteiro, para resolver esse negócio aí, levar para o Paulo Tadeu, tirar esse pessoal aí e botar o pessoal que a gente pediu".
Horas antes, Marcelo Lopes, o Marcelão, ex-assessor da Casa Militar do governo, explicava a Dadá que João Monteiro, na época diretor-geral do SLU, negociaria indicações com Paulo Tadeu: "O João Monteiro vai lá no Paulo Tadeu para resolver o negócio da nomeação". Dois dias depois, Dadá disse a Lopes que aliado seu "botou a mão" no CD com as nomeações.
Desafetos. O engenheiro Cláudio Abreu, então diretor regional da Delta no Centro-Oeste, acionou Dadá para que investigasse desafetos no Distrito Federal. Um dos alvos era Pedro Luiz Rennó, gestor de um dos contratos da empresa no SLU. Em abril de 2011, Abreu cobrou de Dadá num telefonema: "Você tem de pegar o tal Pedro, filmar esse cara fazendo roubalheira. É isso o que você tem de me dar".
Procurado pelo Estado, o secretário Paulo Tadeu informou, por sua assessoria, que nunca teve reuniões com Marcelo Lopes ou João Monteiro para tratar de nomeações. Em nota, a Delta alegou desconhecer o teor dos relatórios da PF e assegurou jamais ter solicitado qualquer pesquisa sobre a vida de qualquer pessoa.
 
 

 
    

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