Por Nivaldo Cordeiro
Li seu artigo de hoje na Folha de São Paulo, no qual relata o dramático momento em que foi assaltado. O que posso lhe dizer? Bem vindo ao clube dos assaltados, quem sabe assim você possa ajudar a fazer o que precisa ser feito para que esses acontecimentos trágicos deixem de ser rotina e as pessoas de bem possa enfim sair às ruas sem medo.

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Escrevo mesmo para lhe dizer que, à parte a minha solidariedade, estou em desacordo com seu diagnóstico sobre o que lhe aconteceu. Talvez lhe falte o necessário distanciamento de tempo para meditar sobre o acontecido, mas tenho dúvida: seu arrazoado é igual ao daqueles que tenho visto liderando as tolas passeatas pela paz (como se vagabundos estivessem em guerra organizada e como se fossem sensíveis a esses argumentos), dos movimentos em prol do desarmamento civil, dos que escrevem artigos e entrevistam “especialistas” em programas de televisão afirmando que pessoas cometem crimes porque são pobres, esse discurso marxista rasteiro que envenena o cérebro dos assaltados e o dos não assaltados.

 

Quero lhe dizer que o primeiro passo para compreender e combater esse criminalidade que lhe vitimou é enxergar as coisas como são: nem pobreza e nem riqueza levam ninguém ao crime. Veja você que os quarenta denunciados pelo mensalão no STF são homens e mulheres ricos e, no entanto, estão enroladas a prestar contas à Justiça. Sei que você tem parentes notáveis no meio jurídico, com clientela a mais rica. Sugiro perguntar-lhes sobre os casos envolvendo os clientes bem nascidos e terá a surpresa de saber que os pobres não têm o monopólio da maldade. Essa gente rica mais das vezes comete os maiores crimes.

 

Pobreza não é desculpa e não isenta qualquer cidadão de suas responsabilidades. Ficou-me a impressão de que você tem sentimento de culpa por vir de uma família organizada e ser um homem bem sucedido na vida. Não deveria ter, você faz as suas obrigações e usa dos talentos que lhe foram dados por Deus. Não há culpa alguma nisso, há mérito. Muitos dos seus amigos bem nascidos deram-se mal por não terem nem a vocação e nem a capacidade de trabalho que você tem demonstrado, pelo menos na sua vida pública.

 

O segundo passo é tomar ações eficazes para intimidar a malandragem. Os caras lhe atacaram porque tinham 100% de certeza de que não reagiria e, pior ainda, não teria como reagir, pois sabiam que você estava desarmado. Bandido não tem medo de homens de bem porque sabem que não portam armas e foram adestrados para se portarem covardemente diante de atacantes. Então é preciso que gente como você, com poder de mídia, passe a apoiar a mudança na legislação em prol do armamento civil. Essa covardia institucionalizada é a causa primária do atrevimento dos vagabundos que atacam homens emasculados, sem nenhum poder de reação.

 

Outro passo é denunciar esses falsos “especialistas” que são, na verdade, ativistas políticos disfarçados para plantarem idéias falsificadas em toda gente. Denuncie qualquer um que venha falar de “justiça social”, de desigualdade de distribuição de renda e temas assemelhados. Não passam de soldados da revolução silenciosa que está em marcha em nosso país, implantando idéias coletivistas que servem apenas para destruir a ordem, os bons costumes e para justificar o malfeito. Querem lhe fazer crer que o responsável pelo assalto que você sofreu é você mesmo, porque tem méritos, capacidade intelectual e dinheiro no bolso. Nada mais falso: os responsáveis, além dos dois vagabundos agressores, é toda essa gente que está pronta a justificar os atos dos celerados mais vis.

 

Essa gente odeia a propriedade privada, as liberdades individuais, são ressentidos e invejosos que procuram inverter a lógica natural dos fatos.

 

Continue pagando seus impostos, mas saiba que isso não basta. Na verdade, quem paga impostos são os tolos que pagam a conta dos inúmeros vagabundos remunerados pelos impostos, verdadeiros profissionais do malfeito. Vá além, passe a defender os valores tradicionais, aquilo que sempre serviu de base para a boa ordem social e, quem sabe, a ordem justa. Claro, isso exige um posicionamento de vida. Aí você passará pelo calvário que está passando o José Padilha, o diretor do filme em que o Capitão Nascimento é o herói (até o ator, o ótimo Wagner Moura, já andou dizendo que o personagem nem herói é) citado em seu artigo. Entrar na lista negra da esquerda custa caro, pode custar o seu emprego e até seu padrão de vida. Boris Casoy continua desempregado por não rezar pelo credo marxista.

 

Acredite que isso é algo que precisa ser feito. Temos, se quisermos proteger nossos filhos e não deixar nossas mulheres viúvas jovens, que enfrentar a situação. Esse é o caminho, mas precisa ter coragem e espírito público. Espero que você tenha e que em um futuro próximo não venha a ter que escrever um novo artigo relatando fatos dessa mesma natureza.

 

Você disse que está à procura de um salvador da pátria. Saiba que este salvador está em você mesmo. Aja e ajude a todos nós a fazer um futuro melhor para o Brasil.

 

Receba meus cordiais cumprimentos.

 

Nivaldo Cordeiro

www.nivaldocordeiro.net
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