Exército ensaia abrandar punições a militares que criticaram ministras de Dilma 
Junia Gama - Correio Braziliense - 16/03/2012
Os chefes das Forças Armadas vêm tentando contornar a crise na caserna por meio de conversas com militares da reserva, evitando aplicar a punição determinada pelo governo há cerca de um mês. Na semana passada, o general Enzo Peri esteve no Rio de Janeiro e, nesta segunda-feira, em Brasília, em reunião com líderes do manifesto “Alerta à Nação” para tratar o assunto. Está previsto para os próximos dias um terceiro encontro, em São Paulo.
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Segundo militares presentes à reunião, o comandante teria afirmado taxativamente que não haverá punição formal aos que assinaram a nota com críticas à presidente Dilma Rousseff
Os generais convidados à reunião manifestaram preocupações com o agravamento da crise e foram incitados pelo comandante Enzo a trabalharem para que o Exército se mantenha coeso.
“O comandante sabe que seria uma bobagem punir, porque não há base legal para a punição e haveria uma enxurrada de processos judiciais”, afirmou um oficial da reserva. Oficialmente, o Exército nega que o general Enzo tenha retirado a perspectiva de punição. Segundo informações da instituição, as conversas de fato estão ocorrendo, em uma tentativa de amenizar a crise, mas o comandante do Exército não teria descartado a possibilidade de punir os oficiais rebelados. Sobre o assunto, ele teria afirmado aos generais da reserva que o problema estaria sendo resolvido de forma “centralizada” por ele.
Fontes do governo avaliam como “satisfatória” a maneira como o remédio para a crise está sendo administrado, sem a aplicação de pena aos militares. Na quarta-feira (14), declarações do ministro da Defesa, Celso Amorim, de que a lei criadora da Comissão da Verdade “convalida” a Lei de Anistia, foram recebidas como uma sinalização positiva pela caserna.
Indiciamento
A denúncia do Ministério Público do Pará contra o coronel Sebastião Curió, notório pela repressão à Guerrilha do Araguaia, pode ser um fator de agravamento da situação. “Estamos nos preparando para responder judicialmente a essa ação. Não vamos deixar o Curió sozinho”, afirmou um militar da reserva
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A Comissão da Verdade é revanchista, sim!
Por Reinaldo Azevedo - 15/03/2012
15/03/2012
 A Comissão da Verdade é revanchista, sim!
De todas as tolices que se dizem sobre a tal “Comissão da Verdade”, a maior delas é a que sustenta que ela não tem nada a ver com revanchismo. Ora… Trata-se de revanche, sim, ainda que ela se situe no terreno da pura narrativa. As pessoas diretamente envolvidas com essa comissão já deixaram mais do que claro que se trata de contar a história segundo a ótica das esquerdas. Como elas perderam aquele confronto — curiosamente, só chegaram ao poder por meio do método que rejeitavam: as “eleições burguesas”!!! —, tentam agora vencer a outra luta: a do “bem” (elas) contra o “mal” (os outros).
O nome disso é revanche. A ideia de que o Estado defina uma “verdade” oficial, diga-se, já é de um autoritarismo escandaloso. O país é livre. As universidades são autônomas. Os historiadores podem trabalhar à vontade. Por que há de ser o aparelho estatal a dizer “a” verdade? O fato de a academia — com raras e honrosas exceções — não reagir ao estabelecimento de uma “verdade oficial” e apoiar a iniciativa dá conta da indigência intelectual média da turma. Sigamos.
Essa Comissão da Verdade não resiste a algumas indagações básicas.
1 - Vai reconstituir, no detalhe, o assassinato do soldado do Exército Mário Kozel Filho, morto a 11 dias de completar 19 anos? Serão listados os participantes do atentado que o matou e os chefes das organizações terroristas?
2 - Serão reconstituídos as últimas horas de vida do tenente da Polícia Militar Alberto Mendes Júnior, que teve o crânio esmagado a coronhadas por Carlos Lamarca e seu bando?
3 - Vão reconstituir, em suma, as circunstâncias da morte de pelos menos 119 pessoas, assassinadas por grupos de extrema esquerda?
4 - Terá a comissão a coragem de contar também esse lado da “verdade”, indicando, reitero, os nomes dos chefes dessas operações — e Dilma Rousseff foi, sim, dirigente de duas organizações que mataram pessoas?
5 - A comissão será independente o bastante para demonstrar que a maioria desses mortos não tinha nem mesmo ligação com a luta política?
As minhas perguntas são meramente retóricas porque eu já sei a resposta. Ora, se o objetivo da Comissão da Verdade é reconstituir a história segundo o exclusivo ponto de vista da esquerda, partindo das premissas falsas de que os terroristas de então queriam democracia e só optaram pela luta armada porque não tinham uma alternativa, não é Comissão da Verdade, mas da mentira;  não é aposta na pacificação, mas na revanche.
Os xingamentos todos eu já conheço; espero contra-argumentos.

 

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