P Chagas
Ao tomar conhecimento, nas primeiras horas deste 1º de março, de que há intenção de punir os militares da reserva que assinaram manifesto em desagravo à reação do governo e em apoio ao conteúdo do documento publicado no site do Clube Militar, com críticas à ministros e atitudes do governo, sinto-me na obrigação de externar minha surpresa diante de tamanha insensatez das autoridades que assim possam estar pensando.
Sinto-me à vontade para colocar-me no tema porquanto, por razões de postura pessoal, não assinei o documento embora o repute justo, legítimo e democrático.
Os militares inativos, da reserva ou reformados, têm direito legal de manifestar-se ordeiramente e sem prejuízos de qualquer monta ao patrimônio físico ou moral da Nação, uma vez que são cidadãos, eleitores, como quaisquer outros, aí incluídos os baderneiros do MST que tantos danos têm causado aos bens e aos direitos dos brasileiros com o explícito beneplácito e apoio do próprio governo federal.
Causa-me estranheza uma atitude de tamanha discriminação quando comparada à anistia concedida a policiais grevistas que, de armas na mão, intimidaram o poder público e negligenciaram de seu dever constitucional em busca de melhorias salariais, o que, em última análise, constitui justa reivindicação por meios visceralmente ameaçadores e ilegais, completamente diferente do documento que ora torna-se público!
Não me causa, no entanto, pasmo ou surpresa o recurso extorcionário adotado pelo governo para reverter a situação, colocando sob condições, sub-repticiamente, o repasse de recursos para os projetos de incremento da defesa da Pátria e o reajuste salarial, há muito merecido e ansiado pelos militares.
A sujeição ao dever, colocado acima de tudo pelos soldados, faz com que não se apercebam da manipulação de que são vítimas nas mãos de um governo que transforma seus anseios patrióticos e profissionais em um tipo de “bolsa defesa”, que condiciona suas ações e reações e que tolhe seus direitos e deveres de cidadãos livres e comprometidos com a liberdade.
Assim pensando, sou forçado a concluir, com profundo pesar, que o interesse da administração pública não está  no incremento da defesa nacional ou no reconhecimento do valor de seus soldados, mas sim na compra de seu silêncio e de seu alijamento da vida cidadã, que, por definição, outorga a todos os segmentos da sociedade o direito de opinião e de manifestação ordeira.
Identifico, no lamentável episódio, fortes indícios da manipulação do intelectual coletivo a criar a cizânia nas Forças Armadas e a estimular uma divisão absurda e esdrúxula entre “ativa” e “reserva”!
É inimaginável, na vigência da democracia, defendida por convicção no contragolpe de 1964 e construída, até com o sacrifício da vida de irmãos brasileiros, durante os governos sob mando de militares, sequer pensar-se em ações que estejam fora do contexto da lei e da ordem, como, no momento, quer-se fazer parecer uma legítima manifestação de militares inativos.
Qualquer pensamento, perspectiva ou esperança de que a reserva possa ultrapassar os limites da disciplina e deixe de acatar as “Decisões do Chefe”, a lei e a ordem é sintoma grave de quebra de coesão, que merece a atenção e a preocupação de todos nós, pois representa a derrocada diante dos interesses dos que nos querem definitivamente fracos e inertes.

Observação do site www.averdadesufocada.com
De onde poderia partir qualquer pensamento ou perpectiva de que  a reserva poderia ultrapassar os limites da disciplina?
O  Alerta à Nação foi idealizado por um grupo de democratas que dedicaram suas vidas a lutar pela democracia no Brasil  e refere-se, principalmente, á manutenção das leis vigentes no pais

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