Eliane Cantanhêde 
 Eliane Cantanhêde - Folha de São Paulo - 05/02/2012 
Todo mundo sabia que Luiz Felipe Denucci estava sendo investigado ao ser nomeado presidente da Casa da Moeda e que algo vinha dando errado na estatal, no mínimo, desde o ano passado. Menos a Luíza, que estava no Canadá.
Agora, com a casa (da moeda) arrombada e Denucci demitido de forma inédita -preventivamente, antes que a Folha publicasse reportagem sobre ele- ninguém mais sabe de nada. Virou um empurra-empurra.

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O PTB diz que só avalizou a indicação de Denucci para "fazer um favor" ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que seria o verdadeiro mentor da nomeação. E acrescentou: o partido já vinha avisando que havia irregularidades na Casa da Moeda.
Mantega só abriu sindicância cinco dias depois da queda e só rompeu um silêncio seis dias depois, por ordem de Dilma. Jurou que nem sabia quem era o cara, que lhe foi indicado pelo PTB e tinha um "currículo adequado". O "pente-fino" -mas não tanto- falhou?
Não há meio-termo: alguém está mentindo. Ou Mantega ou o PTB, à frente seu presidente, Roberto Jefferson, e seu líder, Jovair Arantes.
O partido ganhou o primeiro round quando a Casa Civil confirmou que, em setembro, também já alertara a Fazenda de que havia suspeitas sobre Denucci. Mantega ficou falando sozinho.
Pior: foi jogado na arena onde a oposição e os leões do PTB e do PMDB andam famintos, querendo saber, por exemplo, por que a Casa da Moeda, que não tem nada de política, entra no rateio entre os partidos. Bem, disso todos eles entendem.
A questão política, porém, não deve sobrepor-se ao essencial: como mostrou a Folha, Denucci e a filha são suspeitos de ter duas empresas "offshores" em paraísos fiscais que movimentaram US$ 25 milhões de "comissões". Ele confirma as "offshores", não a movimentação. Ah, bem! A WIT, consultora dessas contas, tem muito a revelar.

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