Nem com o caso do  Allende, que a filha, recen-
temente, reconheceu  como suicídio, a ministra
Maria do Rosário quer admitir que um homem
cardíaco, com uma vida desregrada, como  
Jango, possa ter morrido de "morte morrida".
Por que não um cadáver a mais nas costas
das Forças Armadas?
Governo apoia investigação da morte de Jango  Familiares querem saber se o ex-presidente morreu ou não envenenado; até exumação tem aprovação oficial
Evandro Éboli - O Globo - 22/01/2012
Brasília. A família de João Goulart tem todo o apoio do governo Dilma Rousseff na busca pelo esclarecimento das circunstâncias em que se deu a morte do ex-presidente. Jango morreu há 35 anos, em dezembro de 1976, no exílio, em Corrientes, na Argentina. Os familiares querem descobrir se João Goulart morreu ou não envenenado, alvo da Operação Condor, uma aliança das ditaduras dos países do Cone Sul para eliminar opositores dos militares nos anos 1970.
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O governo apoia até mesmo a exumação dos restos mortais do ex-presidente.
No ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos aproximou-se da família de Jango. A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) sugeriu, então, a João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, que oficializasse o pedido de ajuda e colaboração no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e também na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. As duas instâncias são vinculadas a seu ministério.
Maria do Rosário afirmou ao GLOBO que sua secretaria fez uma parceria com o Ministério Público Federal e apoia todas iniciativas dos procuradores que atuam na investigação da morte do ex-presidente. Para a ministra, o caso Jango deve ser um dos principais temas da Comissão da Verdade, que será instalada ainda este ano.
- O esclarecimento do que aconteceu com o presidente João Goulart será um dos desafios da Comissão da Verdade. O Brasil vive a busca de sua memória e de sua verdade. Estamos do lado da sua família e vamos nos empenhar para que tudo seja esclarecido - disse Maria do Rosário.
A possível exumação dos restos mortais de Jango, que está enterrado em São Borja (RS), terá o apoio de técnicos e peritos do governo, da Polícia Federal, que já trabalham em casos de identificação de ossadas de desaparecidos políticos. No caso do ex-presidente, o objetivo será identificar hoje possíveis substâncias químicas que possam ter causado a morte de Jango.
 
 

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