Osmar José de Barros Ribeiro - 17/01/2012 Há anos afastado do serviço ativo do Exército, causa-me espécie e espanto a crescente utilização da nossa Força nas tais “ações subsidiárias”, mesmo sabendo que, disseminada na sociedade brasileira, existe a perigosa concepção de que, País amante da paz, não corremos o risco de sermos envolvidos em uma guerra.
Assim, dada a incompetência de não poucos ministros, governantes estaduais e municipais, muito embora a existência de órgãos com nomes altissonantes que deveriam cuidar de temas específicos vemos as Forças Armadas, em particular o Exército, empregando seus efetivos em missões estritamente policiais tais como, no Rio de Janeiro, a ocupação de morros; a substituição de policiais militares grevistas (o que configura, a bem da verdade, o crime de motim); evitar a entrada de gado portador de aftosa vindo do Paraguai; combate ao mosquito da dengue; guarda de reservas ecológicas, etc.
Convém, nesta altura, lembrar que o ex-Secretário de Estado norte-americano Robert Mc Namara, quando presidente do Banco Mundial, sugeriu a drástica redução das Forças Armadas dos países em desenvolvimento. No caso brasileiro, elas seriam transformadas em milícias destinadas a coibir o tráfico de drogas, à proteção das florestas e dos índios, bem como combate ao contrabando enquanto, sob o controle da ONU, existiriam “núcleos de excelência” destinados a operar com as Forças de Paz.
Anos depois, a Lei Complementar nº 97, de 9 Jun 99, assinada por FHC, rezava que... Sem comprometimento de sua destinação constitucional, cabe também às Forças Armadas o cumprimento das atribuições subsidiárias explicitadas nesta Lei Complementar. E mais: ... a (sua) participação em campanhas institucionais de utilidade pública ou de interesse social.
Já no governo petista, as ações de Defesa Civil, muito embora o vasto e badalado aparato estadual e municipal com tal objetivo, em 03 Fev 2011, pesaram nas costas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, cujas competências passaram a abranger: ... propor diretrizes para a participação das Forças Armadas nas atividades subsidiárias;... planejar o emprego das Forças Armadas nas ações de defesa civil;... indicar os meios necessários de apoio logístico, em natureza e quantidade, bem como localização geográfica, para oferecer capacidade de pronta resposta às situações de desastre;... propor as organizações militares que ficarão responsáveis pela gestão das infraestruturas a que se refere o inciso anterior. Tais atribuições não caberiam melhor a um dos muitos ministérios criados para abrigar “companheiros” e aliados?
Tendo alcançado o Poder pela via eleitoral, a esquerda brasileira vem dando vazão a um doentio antimilitarismo ancorado em temas ecológicos, universalistas e falsamente pacifistas. Destarte, ela cede sem pejo ao ideal internacionalista enquanto alimenta, a pouco e pouco, a transformação das Forças Armadas numa espécie de Guarda Nacional, promovendo seu sucateamento e virtual inoperância para as ações às quais se destinam.
Não nos iludamos: num mundo marcado por conflitos de diversas origens, pelo aprofundamento das desigualdades entre as nações e imerso numa enorme crise econômica, corremos o risco assistir à balcanização de um País cujas Forças Armadas, integradas por cidadãos das mais diversas origens são, ainda, fator impeditivo de tal tragédia, mas que vêm sendo, de forma insana e incompreensível, reduzidas a um papel secundário.
Esquecem os governantes de plantão que o resultado final será, a médio ou longo prazo, a própria desagregação do Estado. Esta, desde os tempos mais remotos, a amarga lição da História.

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